sexta-feira, 28 de março de 2025

Uma semana para os dezesseis anos

Seus ombros, brancos como a pérola
se escondiam sob a cabeleira escura
mais curta, mais bela


(dezesseis anos faz ela

e ensaia sair de casa)


a vida tomou novo rumo

depois do seis de abril

despedi-me de mim

e veio outra

maior, mais madura, no prumo


minha criança primeira

juntada de pó de estrela

e se eu soubesse o que sei agora

e se pudesse voltar naquele dia

em que você quis colo e eu tive pressa

ou que a praia pareceu curta demais

ou naquele outro, em que eu fiquei pouco

ou queimei o feijão

ou daquela vez que eu deixei seus pés tocarem o chão

e você voltou cada vez menos para o meu colo

e passou a não temer a solidão

(até que seus dedinhos pararam de caber na minha mão)


minha pequena companhia


éramos nós, eu e você

e tudo lá fora parecia tão grande e tão raro

e nossa ilusão era a de ninguém mais


te amo, ah, como te amo

e te amar demais me faz assim

querer viver você, pra não doer

o tanto que sua ausência dói em mim


te amo, ah, como te amo

e também me amo porque você me habita

e porque há você, há música

e porque há você, a vida é mais bonita

e porque há você, uma parte de mim despertou

quando essa outra parte morreu

e o meu mundo ficou maior que eu


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