Foi o que você exclamou após comer salsichas picadinhas com arroz, feijão e lentilhas no almoço. Morri de rir!
Menos engraçado foi ver um estranho na rua e achar que era seu pai. Ai eu fiquei triste. Vou explicar:
já faz um mês que ele voltou para Belo Horizonte. Cismou que vai virar piloto de avião e nós duas estamos dando a maior força para que isso aconteça. Prometemos que ficaríamos bem aqui em Vila Velha, que cuidaríamos uma da outra e que faríamos uma contenção de gastos para não desequilibrar nossa vida (você, mesmo pequetitinha, prometeu também, que ficaria bem, sem nem saber o que isso significava).
Mas essa distância toda afeta sua vida, como não poderia deixar de ser. Você vê seu pai em todo canto: quando o vizinho abre a porta da casa dele você acha que é seu pai chegando; quando o telefone toca, acha que é ele ligando e, mais raramente, quando vê um cara que, na sua cabecinha, se parece com ele, corre ao encontro até estar próxima o suficiente para perceber o engano. Foi assim no sábado, quando fomos à praia: o homem nem parecia seu pai, aos meus olhos. Mas, aos seus, devia parecer. Você exclamou bem alto um "papai! Oi, papai!", que foi de cortar o coração. Se seu pai visse, acho que ia voltar correndo...