Estávamos na piscina da casa que o vovô comprou no Parque. Você, de boias nos braços, agarrada no meu pescoço inexoravelmente, nem pensava em aprender a nadar.
Confesso que meu movimento foi instintivo e, ademais, você já tem idade para saber nadar (e o saberia se eu a tivesse colocado numa aula de natação): não resisti. Levei você para o meio da piscina, instruí para que tivesse calma e que confiasse em mim, pois eu estava ali a seu lado, pronta para segurar você. Soltei. Em milissegundos, vi o desespero em seus olhos, enquanto debatia-se, batendo os braços. Permaneci firme, à sua frente, sem tocar-lhe, sorrindo e afirmando "você conseguiu, você está nadando". Como num transe, você escutou minha fala e um sorriso maravilhoso inundou sua face. Você estava nadando! Sim, com boias nos braços, mas, pela primeira vez, nadava sem segurar em nada ou ninguém. E surpreendeu-se tanto com sua própria capacidade que ficou no mais pleno estado de excitação: "gente, eu to nadado, GENTEEE, eu to nadandooooo", gritava para que todos ouvissem. Meu primo Alexandre, o seu tio Lelê, pegou você pelas costas e direcionou para mim, instruindo que nadasse até a mamãe. Eu, devagarzinho, dava passos para trás, para que você pudesse nadar mais. "Pára de andar pra trás, mãe", você exclamava, enquanto percebia minha tática. E pulava para o meu colo. Depois, do meu colo para o tio Lelê. Depois, para a borda da piscina. Depois, de uma borda à outra. E a magia se fez. E você, ao final da tarde, já era o mais novo peixinho da família...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Enquanto você crescia
Confesso que quase sucumbi à frustração de ver você lutar contra a retirada da fralda. Confesso ainda que, enquanto você tratava a fralda mágica como sua nova melhor amiga nas horas de evacuação, temi que tivesse criado uma nova dependência para o seu rol de rituais. Mas até que ela estava funcionando: durante uma longa semana, você aprendeu a sentar no vaso sanitário, só para ver a fralda mágica em ação. E digo mais: você parecia se divertir com o fato de que seu cocô agora ia para o fundo do vaso, "mergulhando" num espaço que antes era abismático e impensável. Cada evacuação parecia mais fácil e mais frequente. E você já pedia para que eu esperasse do lado de fora do banheiro e só voltasse quando fosse chamada para limpar seu bumbum.
Enquanto os dias passavam, fui aumentando o tamanho do buraco da fralda mágica, até que, ao final dos sete dias, você já estava usando a fralda cortada ao meio; o que muito se assemelhava a uma tanga de índio. Em alguns dias, diminuí o tamanho das abas penduradas, fazendo o que chamamos de "cinto mágico". Finalmente o que era fralda transformou-se em uma fina cinta, presa apenas pelas laterais de ajuste _ e o que era melhor: paramos de gastar com fraldas. A mesma cinta funcionaria até o final de sua transição, já que não se aproximava da evacuação em nenhum ponto. Durante esses dias, quando você queria fazer suas necessidades, eu lhe colocava no assento sanitário e saía para buscar a cinta mágica (demorando, às vezes, até um minuto, para que se acostumasse com a condição, mas sem ter tempo suficiente para entrar em estado de pânico). Passadas duas semanas, a cinta mágica foi envelhecendo e, durante uma determinada evacuação, a cola das abas laterais perdeu-se. Você ficou só com a parte da frente, enquanto a peça traseira estava em minhas mãos. Mostrei a você que ela tinha ficado velha e que, talvez, você pudesse usar só a parte da frente. Para minha alegria, você, ao término do cocô, me pediu a parte que estava comigo, embolou-a junto da frente e exclamou: "ah, acho que agora eu não preciso mais disso". E jogou ambas as partes no lixo.
Eu quis chorar de alegria, mas, recordando todas as vezes que você foi e voltou nas decisões relativas ao seu método de evacuar, segurei minhas expectativas e esperei. Será que tinha dado certo? Ou será que você pediria um novo cinto mágico mais tarde?
No outro dia, veio a confirmação: você fez o xixi matinal e, enquanto eu escovava os dentes a seu lado, disse que iria fazer um cocô sem cinto mágico. Sorri para você, tentando não transparecer a importância do momento. Em segundos, você conseguiu. Fizemos uma festa no banheiro! Chegando à casa de sua avó materna, fez questão de contar a novidade a todos. Depois ligamos para a casa da sua avó paterna e contamos a seu pai e aos outros. Foi uma alegria.
Desde então, sua evacuação tem seguido um relógio diário, sem horário muito definido. Na última sexta-feira, fez cocô no colégio pela primeira vez! E sempre que tem vontade, não se prende a mim para levar-lhe ao banheiro: já fez com a vovó, com o papai e até com a tia Luiza.
Ao lembrar da sua luta interna contra essa adaptação, ao mesmo tempo em que sabia que você queria se libertar da masmorra da evacuação, fico emocionada. Você relutou. Tentou encontrar justificativas variadas para não mudar o método antigo (que era o uso da fralda). Tentou não crescer. Me disse que não queria mais fazer quatro anos e que preferia ser bebê para sempre.
Chorei por tantas noites e desabafei em poucos ouvidos, buscando um alento para a minha impotente condição de mãe que observa a filha a começar seu desbravamento do mundo. Houve momentos em que imaginei que eu fosse uma mãe incompetente, burra, tão despreparada que não conseguia passar de uma transição que, para muitos, era tão simples, tão elementar.
Mas para você, não estava sendo simples. Você precisava de um empurrãozinho. E precisava de apoio integral.
Parabéns, meu amor, por ter conseguido ultrapassar essa fase. E obrigada por me fazer acreditar na maternidade.
Amo você demais.
Enquanto os dias passavam, fui aumentando o tamanho do buraco da fralda mágica, até que, ao final dos sete dias, você já estava usando a fralda cortada ao meio; o que muito se assemelhava a uma tanga de índio. Em alguns dias, diminuí o tamanho das abas penduradas, fazendo o que chamamos de "cinto mágico". Finalmente o que era fralda transformou-se em uma fina cinta, presa apenas pelas laterais de ajuste _ e o que era melhor: paramos de gastar com fraldas. A mesma cinta funcionaria até o final de sua transição, já que não se aproximava da evacuação em nenhum ponto. Durante esses dias, quando você queria fazer suas necessidades, eu lhe colocava no assento sanitário e saía para buscar a cinta mágica (demorando, às vezes, até um minuto, para que se acostumasse com a condição, mas sem ter tempo suficiente para entrar em estado de pânico). Passadas duas semanas, a cinta mágica foi envelhecendo e, durante uma determinada evacuação, a cola das abas laterais perdeu-se. Você ficou só com a parte da frente, enquanto a peça traseira estava em minhas mãos. Mostrei a você que ela tinha ficado velha e que, talvez, você pudesse usar só a parte da frente. Para minha alegria, você, ao término do cocô, me pediu a parte que estava comigo, embolou-a junto da frente e exclamou: "ah, acho que agora eu não preciso mais disso". E jogou ambas as partes no lixo.
Eu quis chorar de alegria, mas, recordando todas as vezes que você foi e voltou nas decisões relativas ao seu método de evacuar, segurei minhas expectativas e esperei. Será que tinha dado certo? Ou será que você pediria um novo cinto mágico mais tarde?
No outro dia, veio a confirmação: você fez o xixi matinal e, enquanto eu escovava os dentes a seu lado, disse que iria fazer um cocô sem cinto mágico. Sorri para você, tentando não transparecer a importância do momento. Em segundos, você conseguiu. Fizemos uma festa no banheiro! Chegando à casa de sua avó materna, fez questão de contar a novidade a todos. Depois ligamos para a casa da sua avó paterna e contamos a seu pai e aos outros. Foi uma alegria.
Desde então, sua evacuação tem seguido um relógio diário, sem horário muito definido. Na última sexta-feira, fez cocô no colégio pela primeira vez! E sempre que tem vontade, não se prende a mim para levar-lhe ao banheiro: já fez com a vovó, com o papai e até com a tia Luiza.
Ao lembrar da sua luta interna contra essa adaptação, ao mesmo tempo em que sabia que você queria se libertar da masmorra da evacuação, fico emocionada. Você relutou. Tentou encontrar justificativas variadas para não mudar o método antigo (que era o uso da fralda). Tentou não crescer. Me disse que não queria mais fazer quatro anos e que preferia ser bebê para sempre.
Chorei por tantas noites e desabafei em poucos ouvidos, buscando um alento para a minha impotente condição de mãe que observa a filha a começar seu desbravamento do mundo. Houve momentos em que imaginei que eu fosse uma mãe incompetente, burra, tão despreparada que não conseguia passar de uma transição que, para muitos, era tão simples, tão elementar.
Mas para você, não estava sendo simples. Você precisava de um empurrãozinho. E precisava de apoio integral.
Parabéns, meu amor, por ter conseguido ultrapassar essa fase. E obrigada por me fazer acreditar na maternidade.
Amo você demais.
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