segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Que cheiro de seu Miro

(hoje você está com dois anos e meio)

E foi isso que você exclamou quando descemos à garagem, para buscar o kinder ovo que tinha ficado no carro. Eu só não consegui entender ainda o que você quis dizer com cheiro de seu Miro... Ora, filhota, eles realmente estavam lavando a caixa de gordura do prédio, mas o seu Miro é um senhor tão limpinho! Ou será que não?

:)
Enfim...

Fomos à BH e você entrou em pânico para subir no avião: queria, sim, passear no aeroporto. Queria, é claro, comer o pirulito de chocolate da Le Chocolatier (eca!) e passear na loja do Projeto Tamar, como sempre fazemos (às vezes vamos ao aeroporto à toa, só para você passear e ver os aviões).
Mas eu nunca pensei que você fosse se rejeitar de maneira tão veemente a subir num dos bichões, principalmente porque você sempre gostou de voar!
No meio do temporal do seu desespero (com choro mesmo; e lágrimas, muitas lágrimas), consegui acalmar seus ânimos. Ora, não havia muito que eu pudesse fazer, bem verdade, mas o avião tinha telas com desenho animado passando e você acabou ficando entretida com o Bob Esponja e esqueceu um pouco o fato de estar nas alturas. Pedi aos céus que não houvesse turbulências _ seria o fim da minha sanidade e da sua calma.
Quando chegamos a BH, você deixou bem claro que não queria voar mais de avião (que coisa, pensei, e a volta?). Pois é. E a volta...
Menos conturbada, por incrível que pareça, mas você continuou dizendo que não queria mais avião. E completou: "eu já tô na ViaVéia, mamãe. Não precisa avião. Nunca mais".
Ri por dentro.
Imagino o que nos espera quando viajarmos no Natal...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quanta barriguinha na minha salsichinha!

Foi o que você exclamou após comer salsichas picadinhas com arroz, feijão e lentilhas no almoço. Morri de rir!

Menos engraçado foi ver um estranho na rua e achar que era seu pai. Ai eu fiquei triste. Vou explicar:
já faz um mês que ele voltou para Belo Horizonte. Cismou que vai virar piloto de avião  e nós duas estamos dando a maior força para que isso aconteça. Prometemos que ficaríamos bem aqui em Vila Velha, que cuidaríamos uma da outra e que faríamos uma contenção de gastos para não desequilibrar nossa vida (você, mesmo pequetitinha, prometeu também, que ficaria bem, sem nem saber o que isso significava).
Mas essa distância toda afeta sua vida, como não poderia deixar de ser. Você  vê seu pai em todo canto: quando o vizinho abre a porta da  casa dele você acha que é seu pai chegando; quando o telefone toca, acha que é ele ligando e, mais raramente, quando vê um cara que, na sua cabecinha, se parece com ele, corre ao encontro  até estar próxima o suficiente para perceber o engano. Foi assim no sábado, quando fomos à praia: o homem nem parecia seu pai, aos meus olhos. Mas, aos seus, devia parecer. Você exclamou bem alto um "papai! Oi, papai!", que foi de cortar o coração. Se seu pai visse, acho que ia voltar  correndo...

sábado, 20 de agosto de 2011

Que beijinho doce

Você e seus beijinhos! Ah, como eu esperava que pudesse querer me beijar quando tinha ainda apenas três meses... E hoje, delícia, como você me dedica beijinhos!
Dormimos, as duas, todas as noites, em sua cama: logo que você cai no sono, me levanto devagarzinho e pulo para meus próprios lençóis, é fato, mas antes disso acontecer, ganho todos os mimos a que tenho direito (e mais ainda outros). Você é um poço de delicadezas!
Hoje voltamos de Belo Horizonte, onde passamos dez dias. É bem verdade que não consegui fazer quase nada do que tinha planejado antes de irmos, mas não se pode planejar muita coisa quando se tem uma criança de dois anos e pouquinho, sem carro e sem dinheiro extra para andar quilômetros e quilômetros de táxi.
Eu queria ter saído para a feira hippie, queria ter ido a uns botecos e, quem sabe, com sorte, iria no Lord Pub (que é um pub muito bacana, com músicas rock'n roll antigas, shows ao vivo de bandas cover e decoração divertidíssima). Em vez disso, preparei muito macarrãozinho com salsicha e dormi com você, depois de te dar a mamadeira da noite, tomamos banho de banheira (igual ao Dumbo, repete você, a cada vez que entra na banheira, querendo se referir à cena em que o Dumbo entra numa tina de água para tomar banho com sua mãe), assistimos Discovery kids e fizemos desenhos com pincel atômico lavável! Ah, e como poderia me esquecer do minhocão?
Fomos, é claro, no Parque Guanabara, mil anos de diversão e entretenimento na Pampulha, em frente à Igrejinha famosa do chato do Oscar (mas com lindos desenhos do Portinari) e você quis ir ao minhocão (brinquedo que estava lá antes de eu nascer e provavelmente estará lá quando você tiver idade o suficiente para ler essas cartas _ claro que podemos ir lá novamente, para relembrar os velhos tempos). Pois bem, você foi. E teve um ataque de pânico! Chorou nas dez voltas que o bicho deu (estava no colo do seu pai) e eu tentei tirar fotos do seu desespero, para guardar para a história (já que não havia mais nada que eu pudesse fazer, pensei que registrar o fato o tornaria cômico ao longo dos anos). Seus avós maternos estavam lá e ficaram extremamente estressados com seu choro. Acharam que eu deveria ter pensado duas vezes antes de deixar você ir no minhocão. Eu, como boa mãe geração neo-hippie, achei que não lhe faria mal experimentar (afinal de contas, você vai precisar se haver com suas escolhas mais cedo ou mais tarde): não é uma brinquedo perigoso, você estava no colo do seu pai. O máximo que poderia acontecer foi o que aconteceu; choro e arrependimento. Um micro-laboratório das coisas que a gente faz pela vida afora.
Achei muito bacana você contar, depois, para todo mundo que não gostou do minhocão: "deu medo na Alice", explicava, a cada um que lhe perguntava sobre ele. E não é que você aprendeu?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sim, majestade!

E foi assim, com essa frase curta, grossa e servil (sarcasticamente servil, diga-se de passagem) que você respondeu ao meu "Alice, você não deve mexer ai, combinado?". Ri às pencas. Sua avó também.
Você está com mania de assistir Alice no País das Maravilhas. Tirou dali o "sim, majestade", decerto. Mas anda falando tantas outras coisas interessantes que essa respostinha já anda até em segundo plano.
Exemplo? Pois bem: fomos à praia, neste domingo, passear no calçadão, pular na cama elástica e tomar água de coco (você não gosta de tomar, só de pedir para o vendedor). Chegando lá, depois das atividades esportivas, fomos à água de coco. A senhora que vendia lhe perguntou seu nome e você, sem gaguejar, disparou: "princesa". E fomos todos às alturas com essa boniteza sua...
Você já está com dois anos e quatro meses. O tempo voa. Já consegue mexer no mouse do computador. Já consegue mexer no mouse embutido do lap top também. E no Ipad da Zizi, nem se fala: você o opera mais eficientemente que a própria dona!
Tenho muito orgulho de seus feitos, mesmo os menores. As palavras ditas corretamente. A coordenação motora fina que anda evoluindo aos pulos. Ainda não fala o R ou o L e qualquer palavra dita com essas letras lembra um chinês tentando aprender o português. De resto, tudo anda sendo aprendido em velocidade máxima: você corre tão bonitinho! Canta em inglês o a-b-c e já anda ensaiando Twinkle twinkle little star, com os fonemas muito próximos da perfeição. Já disse antes e repito: é muito interessante observar seu desenvolvimento. Mé dá muito prazer em ser sua mãe!
Hoje seu pai foi para BH para começar o curso de piloto. Você ainda não entende a extensão desse tipo de coisa, mas com certeza apresentará sinais em alguns dias... cuidarei para que sejam poucos, afinal de contas, iremos ve-lo periodicamente, prometo!
Boa noite, meu amor! Amo você!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Minha amiga, a sinusite

O bom é que ela foi descoberta. O chato é que levou duas semanas. Poxa, mas, também, você não reclama de nada! Não tem febre, não deixa de brincar, não parou de correr e, principalmente, não abandonou sua fantasia de bailarina por um minuto, mesmo doentinha.
Gozado como o crescimento de uma criança se dá de maneira tão acelerada, principalmente nos primeiros anos de vida. Você passou de um completo "nadinha" para uma bailarina que sabe operar o dvd em apenas dois anos. Em contrapartida, eu, de dois anos para cá, continuo praticamente igual: aprendendo a ser mãe e descobrindo não saber nada da vida; tudo ao mesmo tempo.
Cortei o cabelo há um dia do meu aniversário. Quando voltei pra casa, as reações dos familiares foram praticamente as mesmas: mamãe perdeu a fala, papai ignorou o fato (para não ter uma síncope), Dida deu um grito de parar o trânsito, seu pai me pediu umas horas para "acostumar". Mas você, querida, fez uma coisa inesperada: correu para me abraçar e disse exatamente isso "mamãe bonita, igual princesa". Chorei de alegria. Sabia que você estava se referindo à Rapunzel do Enrolados e fiquei feliz demais em perceber você me comparando com seus mundos de faz-de-conta. Sabe de uma coisa? Você também parece a princesa dos meus sonhos...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Meu dentinho tá nascendo

Hoje você acordou falando assim. Meu dentinho tá nascendo. Queria lavar com a pasta do cocóricó. E ria, ria alto.
Toda vez que você acorda, parece que o bom humor está acordando a casa. É raro te  ver triste. É raro te ver acordar triste também.
Você aprendeu a  cantar... em inglês! ABC e Twinkle twinkle little star estão no repertório. E, de fonema em fonema, não é que já decorou as músicas quase que por completo? Amazing...
Amo você até quando quebra meu Buda que sua tia Carol deu... mas, por favor, será que dá para não quebrar mais nada...fiquei num bode só quando vi os pedacinhos do cucuruto dele espalhados pelo chão...

sábado, 14 de maio de 2011

Me dá meu Ipad?

Foi assim que você travou conversa com sua avó materna ontem. Chorei de rir. Depois chorei do que isso poderia significar, caso eu deixasse. Enxerguei naquele seu movimento a possibilidade do nascimento da tirania e do consumismo desenfreado, sem perceber o valor das coisas que possui, pois que as provém são terceiros que as dão para você.
Fomos para casa, sem Ipad, é claro: afinal de contas, não sou daquelas mães loucas que vai parcelar artefatos caríssimos só para o deleite do filho em idade inconsequentemente inocente. Ademais, o Ipad custa o mesmo tanto que uma cama elástica de 3m de diâmetro. Entre um e outro, fico com a cama elástica. Acho que você também fica, dado o quanto gosta de pular nelas (e isso me lembra de outros eventos de "mamãe, o pula-pula", mas esses vêm mais tarde).
Pois bem. Chegando em casa, peguei nossa cartolina de desenhos e desenhei um Ipad, com o aplicativo da La Cucaracha. Você riu. Apertou o botão de início do jogo e eu comecei a cantar a musiquinha. Daí você matou a baratinha e eu 'onomatopeiei' o prrrrrrt da bicha sendo esmagada. Você caiu na gargalhada! Apertou o botão de início de novo. Cantei de novo. Matou a baratinha de novo. Prrrrrrt! Hahahahaha!
Ficamos assim por um bom tempo, até que você veio pro meu colo e me deu beijinhos e rolamos pela sala fazendo cosquinha uma na outra. Brincamos de formiguinha, de morder a barriguinha, de urubu (quando você joga os braços pra trás e imita um urubu voando) e de toda a sorte de coisas, até culminar nos pulos do sofá.
Quem precisa de Ipad?

Ao altar e avante

Já lhe contei que foi você quem levou as alianças do casamento do seu tio Bernardo? Já lhe contei que você tinha apenas um ano e sete meses? E já contei também que foi a coisa mais bonitinha?
Pois bem. Olha só o que aconteceu: você, de vestidinho fofo, cabelo de lado, flor na cabeça e a caixinha de alianças nas mãos, entrando pelo tapete do vão central da igreja. Chegando ao meio do caminho que lhe separava dos noivos, você resolveu dar a caixinha para a Tiz! Mas acho que foi só uma manobra para dar suspense ao casório, já que o movimento de dar a caixinha para a Tiz durou pouco mais de um segundo e, zum, lá foi você até o final do tapete vermelho em direção ao altar. É claro que não entregou a caixinha de pronto ao noivo, mas colocou-a nas mãos de minha mãe: que foi a instrução que lhe dei, para que não ficasse assustada e seguisse todo o caminho sabendo que a Zizi estaria lá na frente. Vi sua foto hoje e por isso recordei o fato...

sábado, 23 de abril de 2011

Desconstruindo mamãe

Você tem agora dois anos e eu já estou preparando o discurso para quando começarmos nossos embates mais feios (sim, porque todo filho tem embates com os pais, mesmo que, na revista, eles digam que são melhores amigos).
Pais e filhos podem ser amigos, é certo. Mas as mães tem a triste mania de confundir amizade com invasão dos limites da privacidade. E pode ser que eu faça isso, pela própria natureza de ser mãe.
Não estou querendo criar aqui uma desculpa adiantada para um eventual comportamento irracional ou bizarro de minha parte, no futuro; é só uma constatação que observo em muitas casas e vivo, eu mesma, na minha.
Sei que não devo futucar seus emails, nem ler seu diário. Entendo que é papel da mãe intervir no sentindo de saber com quem você está saindo e para onde vai, mas que não é da minha alçada te apertar na parede para saber o que você fez quando chegou lá. Penso que saberei discernir entre saber o nome do seu namorado e saber o que vocês fizeram entre a hora que ele buscou você aqui em casa e lhe devolveu, nos mínimos detalhes.
É claro que não desejo que você seja uma jovem libertina (acho que mãe alguma, em sã consciência, desejaria isso para a filha), mas isso não significa que não quero que aprenda a lidar com sua liberdade individual. Seu corpo é seu. As consequências com o que você faz com ele também o serão. Sua reputação é sua. As consequências com o que você faz com ela, idem.
O próximo parágrafo é piegas. Mas não é.
Ser mãe é um abismo: uma vez lá dentro, não existe possibilidade de retorno. A sua existência mudou minha vida para sempre; todas as escolhas, todos os caminhos; tudo fica suspenso após a descoberta de uma gravidez. Após o nascimento, então, nem se fala. E, penso, depois que os filhos crescem e atingem a adolescência, o evidenciamento desse abismo é real. Ele é desnudado, colocado em primeira página do jornal, o travesti sem roupa em cima da mesa do restaurante em pleno horário de almoço. E depois daquilo, nada será como antes.
A maioria dos filhos dito ingratos são construídos na adolescência. "Ele não me conta mais nada", chora uma mãe, "me esconde as coisas", revela outra. Mas a pior frase de todas (para um ouvido sensível e adolescente) é, provavelmente, "eu nunca sei onde estou pisando com você; você me faz pisar em ovos". Aqui a fragilidade da mãe romântica é colocada à prova. Sim, pois dizer que o filho lhe esconde as coisas é um fato tão antigo quanto a humanidade (que filho chega para os pais e diz que descobriu que a masturbação é a coisa mais bacana que ele já experimentou até então?). Agora, dizer que não sabe onde está pisando com o filho, que não compreende a personalidade do filho, é o mesmo que dizer "eu queria que você fosse do jeito que eu queria, mas já que você não é, eu não sei como agir com você". Puxa. Que tiro. Será que, um dia, falarei isso para você?
Espero que não. Em todo caso, guarde a carta. Pode ser que você precise dela mais tarde, quando eu tiver no lugar de matriarca e pense que, por ter conquistado a cadeira, eu possa falar e fazer tudo, sem ressalvas...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bolo no palito

Hoje é seu aniversário de dois anos, mas você teima em dizer que é de um. Acho que quando finalmente conseguir dizer que tem dois (e fazer dedinhos acompanhando), vai ser no seu aniversário de três... :)
De manhã, tivemos sua primeira festinha na escolinha, com colegas cantando parabéns e tudo! Passei o dia inteiro de ontem fazendo bolinho e lembrancinhas para você distribuir para todos e valeu a pena: filmamos e tiramos fotos da cantoria e da bagunça que vocês fizeram. Tia Ilma levou até presente para você: uma bolsinha supercharmosa com badulaques de cabelo!

(Obs: a tia Ilma é a responsável por todas as suas tranças embutidas que embelezam seus fiozinhos dourados dia sim, dia não).

Engraçado como o desenvolvimento infantil traz junto das vantagens o desenvolvimento dos medos... você não quis dormir em sua cama (e isso já vem acontecendo há alguns dias), mas foi só eu coloca-la para deitar na minha, que seus olhos se fecharam em segundos e você entregou o corpo ao sono. Deu uma dó danada só de lembrar do tanto que eu tinha medo de escuro (ok, eu tenho até hoje) e do tanto que você ainda vai ter de atravessar até formar-se segura de si e desbravadora dos desconhecidos que rondam o mundo. Mas você consegue, eu sei. Vejo em sua pele o tanto que é forte e determinada. Sua levadeza nada tem de criança insegura ou medrosa; os medos naturais são aqueles que atravessam nosso caminho e, quando os desvendamos, varremos a sujeira para fora da pista.
Durma bem, meu amor, seu primeiro soninho de dois anos! E pensar que, a dois anos atrás, estávamos dormindo juntas sob a luzinha azul do tratamento da sua icterícia...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Contando pretéritos

"O gato mimindo a gaióia
A porta bateu
Aíce tomô susto"

E esse foi o relato, que sua avó traduziu assim: fomos à Ivy (veterinária) ver os gatinhos. Havia muitos deles e cada um dormia em sua gaiolinha. De repente, a porta da saleta onde estávamos bateu com o vento e a Alice tomou um susto enorme.
Achei graça, gracinha! Você está contando coisas lindinhas e já vai  fazer dois anos. E quanto tempo já se passou...
Sabe, filha, a sua desenvoltura é mesmo assustadora e eu me embasbaco a cada dia com sua capacidade de sintetizar as coisas. Hoje, por exemplo, ao voltar da escolinha (que você insiste em chamar de trabalho: Alice trabaiô, mamãe trabaiô), me contou que o nome do gato (do quadro de gato que temos em casa) seria "monstrinho". Monstrinho! De onde  você tirou isso? Não sei... mas o gato realmente parece um monstrinho, porque ele é enorme e tem olhos assustadores. E seus beijinhos? Ah, os beijinhos... beijinho de pular, beijinho de cair, beijinho de fazer pum... Tem beijinhos para todo lado! Como amo você!
Queria deixar um presentinho, para apreciar mais tarde, quando for chegada a hora:
http://www.youtube.com/watch?v=kXnlJtUY1W4
Será que ainda vai existir youtube quando você crescer?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Reformando a casa

Acho que, desde que você nasceu, venho pensando em mil maneiras de deixar a casa mais bonita, pra você gostar de morar.
Sempre fui dessas pessoas apaixonadas com arte, beleza, design. Desde nova mudo os móveis de lugar periodicamente, porque a mesmice me cansa e o belo, grande parte das vezes, se mostra mais belo quando há novidade.
Pois bem, hoje, faltando dois meses para seu aniversário de dois anos, estamos fazendo a primeira grande mudança em nossa primeira casa de verdade. Parede pro chão, alguns móveis novos, tinta e quadros bonitos. E não é que a senhorita aprecia arrumar a casa?
Compramos um rack para a tevê numa loja na internet. Assim que ele chegou, a única coisa que faltava era montar. Três caixas diferentes para os três módulos do móvel, eu, você, martelos e chaves phillips. Foi fantástico. E a parte mais fantástica foi ver  você, com o martelo, marretando a parte de laca do MDF do móvel (exatamente onde não podia) e dizendo "Alice ajuda mamãe". Quase tive uma síncope. Tirei o martelo das suas mãozinhas tão delicadamente destruidoras e lhe entreguei um parafuso: "segura para a mamãe, porque nós vamos colocar o parafuso ali". Você segurou. Esse e mais os outros doze que vieram depois. Ajudou a mamãe lindamente, riscando o parafuso de vez em quando no móvel, para fazer um desenhozinho na laca. No final da montagem, eu já estava achando até bonito ver sua assinatura de contribuição. A única coisa que me intrigou foi, no dia seguinte, reparar as mordidinhas na beirada de uma das estantes do móvel, aparentemente feitas por um filhote... de gente!
Perguntei o que era aquilo. Você, que não sabe (e nem é encorajada a aprender a) mentir, respondeu: "mordidinha Alice". E riu. Eu ri também (por dentro, enquanto vestia a carapuça de mãe-ordem e lhe informava que aquilo ali era proibido).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mamãe orçamentária

Às voltas com sua primeira rematrícula na creche, não posso deixar de lhe inteirar de alguns fatos bacanos que aconteceram nesse princípio de ano (além do fato chato-bobo-e feio de a escolinha me valer quase nove mil pilas, contando com o material escolar/ano).
Oh, não, não estou lhe cobrando nada, nem dizendo que vai ter de cuidar de mim quando eu for uma velhinha daquelas que só quer saber de comer biscoitos e dormir o dia inteiro, mas quem sabe você não cuida das suas notas o suficiente para frequentar uma faculdade federal ou obter uma bolsa integral num bom campus... ;)
Anyway, o ano novo trouxe coisas novas de você: coisas bonitinhas como você me dar um tchauzinho e dizer que "Alice vai trabalhar", resignada, em direção ao parquinho da creche (e depois deste dia, você sempre acorda dizendo que vai trabalhar). O ano trouxe mais coisas bonitinhas, que citarei em tópicos, enquanto me recordo de cada uma:

Você aprendeu a tomar remédios, depois da segunda bronquiolite. Mudamos de pediatra e esta receitou um composto que, durante os primeiros três dias, ia metade para o chão, metade para dentro da boca mas, depois desse início chato (e com um pouco de Pavlov com chocolate) você passou a tomar todo o remédio com o mínimo necessário de choramingo.

Você também está aprendendo a pedir para ir dormir. É muito emocionante ouvir sua vozinha doce (e cada dia mais manhosa) dizer "mamãe, a cama". E eu lhe coloco na cama, só para ouvir você dizer "mamãe, o boi", para que eu lhe cante boi da cara preta.

Outra fofura sua: você está com mania de diminutivos (acho que é porque todos usam diminutivos com você a todo tempo). Que gostosinho, papá deliciosinho e comeu tudo, muito muitão (ok, é aumentativo, mas vai ter de entrar no exemplo) fazem parte do seu vocabulário diário, lindamente.

Também há um fantástico fato de orgulho nas coisas novas que faz. Você é a figura mais educada da família vezes dois! Sempre que lhe oferecem algo e você declina, diz "não, obrigada", assim, como uma princesa! Tão doce que é surpreendente! Até para tomar o xarope de tosse, depois de engolido tudo, você me agradece, já sabendo que é um cuidado, "obrigaaaada, com ênfase no primeiro 'a' da palavra. Muito linda mesmo!

As músicas que você tem ouvido e cantado? Biquini de bolinha amarelinha encabeça a lista, com coreografia de ombrinho. Tem também um grupo português chamado DoceMania (que eu particularmente acho tão horrível quanto Backyardigans) e você adora! Fazer o que, né? Acabo tendo de saber todas as músicas de cor. Para a minha salvação, você anda fã de Vila Sésamo, especialmente do Elmo, do Ênio e do Cookie Monster (que eu tenho que cantar "c is for cookie" fazendo a voz do monstro, alto, dentro do supermercado, sempre que você pede). Gosta também de Mickey, Madagascar e da trilha sonora do Era do Gelo 4 (que ainda não saiu nos cinemas).

Você está cada dia mais carinhosa e sua genialidade é uma coisa fora do normal. Decora tudo, TUDO. Passamos na frente da loja do Habib's, você viu a logo e gritou: pizza! Antes disso, seu único contato com a pizza do Habib's foi ve-la dentro da caixa, na casa da sua avô e, um mês depois, ver a mesma caixa, aqui em casa. Impressionante.

Conceitos de frio e quente? Você está escolada neles. Só de ver o carro estacionado no sol, você já choraminga, dizendo que "está quente, mamãe, está quente". E o verão em Vila Velha é realmente quente (tenho muita dó de você, que é bem chegada num friozinho; fica cheia de brotoejas na nuca, embaixo do cachinho de cabelo loiro escuro que você tem ali).

Amo você crescendo tão linda!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dialogando

Primeiro post de 2011 vai ser bem rapidinho: você está na varanda da vovó Zizi brincando com o Daniel e a Zizu.
Há uma bola vermelha, pequena, macia. Você a coloca embaixo da cadeira e diz pra Zizu, enquanto se coloca a seu lado: "óia, Zizu, bola linda, óia!". Que bonitinha!