domingo, 18 de fevereiro de 2018

A mãe no osso

Minha querida,

hoje, confesso, estou no osso.

Não é a primeira, nem a segunda vez que a senhorita vem me acordar no meio da noite, fazendo convite à sua cama. Logo eu, que tenho uma dificuldade especial em tornar a dormir, estou vivendo num regime de confusão mental desde que começamos a fazer seu treinamento para dormir sozinha, em seu próprio quarto (coisa que você fazia tão bem quando pequenina).

Paciência para nós, que perdemos o bonde no meio do caminho.

Vou lhe contar o seguinte: que cansaço. São oito horas da manhã de um domingo e eu estou só no bagaço_isso porque fomos dormir às onze e meia de ontem (por ocasião de um aniversário de um coleguinha seu) e você me buscou às três da madrugada para me contar que não conseguia dormir.

Quando o Sol escalou os raios para cima da linha do horizonte, você, remexendo como um peixe fora d´água debaixo daquele lençol, me chutou involuntariamente para fora da cama. Eu perdi a graça e o controle; falei que ia voltar para a minha cama e que não queria ser acordada. Você chorou (e eu, lógico, voltei para você).

Essa história de dormir mal é complicada demais, filha. Poucas coisas me tiram mais do sério que cortar o sono ao meio, mas você parece ser alheia a isso (ok, sua idade não ajuda muito nessas introspecções, não é mesmo?).

Vamos seguir em nosso treinamento, eu, firme, você, doida para eu desistir. Ao longo da jornada, você vai entender que o caminho da independência passa por essas fases de superação de medo.

Quanto mais a senhorita conquistar, mais vai confiar em si mesma. Mais vai sentir esse gostinho de "eu consegui".

Você consegue, meu amor. Você consegue!