sábado, 20 de agosto de 2011

Que beijinho doce

Você e seus beijinhos! Ah, como eu esperava que pudesse querer me beijar quando tinha ainda apenas três meses... E hoje, delícia, como você me dedica beijinhos!
Dormimos, as duas, todas as noites, em sua cama: logo que você cai no sono, me levanto devagarzinho e pulo para meus próprios lençóis, é fato, mas antes disso acontecer, ganho todos os mimos a que tenho direito (e mais ainda outros). Você é um poço de delicadezas!
Hoje voltamos de Belo Horizonte, onde passamos dez dias. É bem verdade que não consegui fazer quase nada do que tinha planejado antes de irmos, mas não se pode planejar muita coisa quando se tem uma criança de dois anos e pouquinho, sem carro e sem dinheiro extra para andar quilômetros e quilômetros de táxi.
Eu queria ter saído para a feira hippie, queria ter ido a uns botecos e, quem sabe, com sorte, iria no Lord Pub (que é um pub muito bacana, com músicas rock'n roll antigas, shows ao vivo de bandas cover e decoração divertidíssima). Em vez disso, preparei muito macarrãozinho com salsicha e dormi com você, depois de te dar a mamadeira da noite, tomamos banho de banheira (igual ao Dumbo, repete você, a cada vez que entra na banheira, querendo se referir à cena em que o Dumbo entra numa tina de água para tomar banho com sua mãe), assistimos Discovery kids e fizemos desenhos com pincel atômico lavável! Ah, e como poderia me esquecer do minhocão?
Fomos, é claro, no Parque Guanabara, mil anos de diversão e entretenimento na Pampulha, em frente à Igrejinha famosa do chato do Oscar (mas com lindos desenhos do Portinari) e você quis ir ao minhocão (brinquedo que estava lá antes de eu nascer e provavelmente estará lá quando você tiver idade o suficiente para ler essas cartas _ claro que podemos ir lá novamente, para relembrar os velhos tempos). Pois bem, você foi. E teve um ataque de pânico! Chorou nas dez voltas que o bicho deu (estava no colo do seu pai) e eu tentei tirar fotos do seu desespero, para guardar para a história (já que não havia mais nada que eu pudesse fazer, pensei que registrar o fato o tornaria cômico ao longo dos anos). Seus avós maternos estavam lá e ficaram extremamente estressados com seu choro. Acharam que eu deveria ter pensado duas vezes antes de deixar você ir no minhocão. Eu, como boa mãe geração neo-hippie, achei que não lhe faria mal experimentar (afinal de contas, você vai precisar se haver com suas escolhas mais cedo ou mais tarde): não é uma brinquedo perigoso, você estava no colo do seu pai. O máximo que poderia acontecer foi o que aconteceu; choro e arrependimento. Um micro-laboratório das coisas que a gente faz pela vida afora.
Achei muito bacana você contar, depois, para todo mundo que não gostou do minhocão: "deu medo na Alice", explicava, a cada um que lhe perguntava sobre ele. E não é que você aprendeu?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sim, majestade!

E foi assim, com essa frase curta, grossa e servil (sarcasticamente servil, diga-se de passagem) que você respondeu ao meu "Alice, você não deve mexer ai, combinado?". Ri às pencas. Sua avó também.
Você está com mania de assistir Alice no País das Maravilhas. Tirou dali o "sim, majestade", decerto. Mas anda falando tantas outras coisas interessantes que essa respostinha já anda até em segundo plano.
Exemplo? Pois bem: fomos à praia, neste domingo, passear no calçadão, pular na cama elástica e tomar água de coco (você não gosta de tomar, só de pedir para o vendedor). Chegando lá, depois das atividades esportivas, fomos à água de coco. A senhora que vendia lhe perguntou seu nome e você, sem gaguejar, disparou: "princesa". E fomos todos às alturas com essa boniteza sua...
Você já está com dois anos e quatro meses. O tempo voa. Já consegue mexer no mouse do computador. Já consegue mexer no mouse embutido do lap top também. E no Ipad da Zizi, nem se fala: você o opera mais eficientemente que a própria dona!
Tenho muito orgulho de seus feitos, mesmo os menores. As palavras ditas corretamente. A coordenação motora fina que anda evoluindo aos pulos. Ainda não fala o R ou o L e qualquer palavra dita com essas letras lembra um chinês tentando aprender o português. De resto, tudo anda sendo aprendido em velocidade máxima: você corre tão bonitinho! Canta em inglês o a-b-c e já anda ensaiando Twinkle twinkle little star, com os fonemas muito próximos da perfeição. Já disse antes e repito: é muito interessante observar seu desenvolvimento. Mé dá muito prazer em ser sua mãe!
Hoje seu pai foi para BH para começar o curso de piloto. Você ainda não entende a extensão desse tipo de coisa, mas com certeza apresentará sinais em alguns dias... cuidarei para que sejam poucos, afinal de contas, iremos ve-lo periodicamente, prometo!
Boa noite, meu amor! Amo você!