Você e seus beijinhos! Ah, como eu esperava que pudesse querer me beijar quando tinha ainda apenas três meses... E hoje, delícia, como você me dedica beijinhos!
Dormimos, as duas, todas as noites, em sua cama: logo que você cai no sono, me levanto devagarzinho e pulo para meus próprios lençóis, é fato, mas antes disso acontecer, ganho todos os mimos a que tenho direito (e mais ainda outros). Você é um poço de delicadezas!
Hoje voltamos de Belo Horizonte, onde passamos dez dias. É bem verdade que não consegui fazer quase nada do que tinha planejado antes de irmos, mas não se pode planejar muita coisa quando se tem uma criança de dois anos e pouquinho, sem carro e sem dinheiro extra para andar quilômetros e quilômetros de táxi.
Eu queria ter saído para a feira hippie, queria ter ido a uns botecos e, quem sabe, com sorte, iria no Lord Pub (que é um pub muito bacana, com músicas rock'n roll antigas, shows ao vivo de bandas cover e decoração divertidíssima). Em vez disso, preparei muito macarrãozinho com salsicha e dormi com você, depois de te dar a mamadeira da noite, tomamos banho de banheira (igual ao Dumbo, repete você, a cada vez que entra na banheira, querendo se referir à cena em que o Dumbo entra numa tina de água para tomar banho com sua mãe), assistimos Discovery kids e fizemos desenhos com pincel atômico lavável! Ah, e como poderia me esquecer do minhocão?
Fomos, é claro, no Parque Guanabara, mil anos de diversão e entretenimento na Pampulha, em frente à Igrejinha famosa do chato do Oscar (mas com lindos desenhos do Portinari) e você quis ir ao minhocão (brinquedo que estava lá antes de eu nascer e provavelmente estará lá quando você tiver idade o suficiente para ler essas cartas _ claro que podemos ir lá novamente, para relembrar os velhos tempos). Pois bem, você foi. E teve um ataque de pânico! Chorou nas dez voltas que o bicho deu (estava no colo do seu pai) e eu tentei tirar fotos do seu desespero, para guardar para a história (já que não havia mais nada que eu pudesse fazer, pensei que registrar o fato o tornaria cômico ao longo dos anos). Seus avós maternos estavam lá e ficaram extremamente estressados com seu choro. Acharam que eu deveria ter pensado duas vezes antes de deixar você ir no minhocão. Eu, como boa mãe geração neo-hippie, achei que não lhe faria mal experimentar (afinal de contas, você vai precisar se haver com suas escolhas mais cedo ou mais tarde): não é uma brinquedo perigoso, você estava no colo do seu pai. O máximo que poderia acontecer foi o que aconteceu; choro e arrependimento. Um micro-laboratório das coisas que a gente faz pela vida afora.
Achei muito bacana você contar, depois, para todo mundo que não gostou do minhocão: "deu medo na Alice", explicava, a cada um que lhe perguntava sobre ele. E não é que você aprendeu?
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