"Mãe, eu quero cortar o cabelo bem curtinho. Igual ao do Diego". Foi assim que você abordou o assunto e, de repente, o tema do dia virou cortar o cabelo.
Do alto dos seus três anos e meio, você ainda não tinha cortado cabelo. Nem uma mechinha. Nem as pontinhas. Nada. Cultivávamos aquele seu cabelão de Rapunzel, em parte porque era lindo, em parte porque você nunca quis cortar.
Confesso que, há algum tempo, tentei fazer com que ele fosse aparado, mas seu pai me fez caras feias, especialmente quando eu falei em franjinhas. Desisti. E, com o passar dos meses, aquele cabelo enorme, dourado, com cachos espalhados pelas pontas, foi se tornando moldura indissociável da sua personalidade; corta-lo seria uma catástrofe... Até aquele dia.
Achei muito interessante o jeito que abordou o corte. Antes, arredia ao secador (você nunca me deixara secar seu cabelo e corria a esconder-se dentro do armário a cada vez que escutava o danado), disse que queria ir ao salão, lavar o cabelo, cortar curto e, como se não bastasse, seca-lo! Foi o máximo!
Chegando ao salão, repetiu o pedido: queria cortar o cabelo bem curto.
Como mãe, fiz minha intervenção: bem curto, porém, não absurdamente curto, ok? Façamos um chanel. No ombro. Com a franja inteira.
Você se divertiu tanto! Adorou lavar a cabeça, amou cortar o cabelo, achou o máximo usar secador! Fez pose para o espelho, disse que já era uma menina grande. Riu a valer.
O corte valeu cada centavo! Você ficou linda e abandonou a carinha de bebê: minha filha, aos três anos e meio, estava ficando uma mocinha!
Ai, ai... como eu amo você... <3
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Debut
Minha filhota,
você cortou o cabelo pela primeira vez no dia 18 de outubro de 2012. Estava com três anos e meio e uma cabeleira de dar inveja... Cachinhos loiro-escuro-claros, tão lindos...tão reluzentes... e você, sem titubear, falou pra cabeleireira: quero cortar igual ao do Diego!
(o Diego é o coleguinha da classe pelo qual você é apaixonada)
Por fim, contentou-se com um corte mais tradicional (e menos carequinha que o do Diego). Ficou com um chanel nos ombros, com carinha de menina moça. Tiramos várias fotos de você se divertindo na cadeira da cabeleireira, incluindo o debut do secador de cabelos também (você tinha pavor de secar os cabelos com secador, mas no salão comportou-se como uma dama e pediu que lhe secassem as madeixas)!
É, criança... você está crescendo... Se desfez com tanta facilidade dos cachos que percebi oficialmente a sua vocação para desbravadora. É claro que ainda anda na barra da minha saia (afinal, três anos são três anos), mas aposto que, em pouco tempo, não vai precisar de mim para tantas coisas.
Em meu peito, um misto de desejo e medo de que cheguem os dias em que vai decidir as coisas sem a minha opinião... Espero estar sempre por perto para ajudar você, ou, como disse o Rubem Alves, para "catar os cacos"...
Amo você e essa é a única certeza que tenho em minha vida... :)
mamãe
você cortou o cabelo pela primeira vez no dia 18 de outubro de 2012. Estava com três anos e meio e uma cabeleira de dar inveja... Cachinhos loiro-escuro-claros, tão lindos...tão reluzentes... e você, sem titubear, falou pra cabeleireira: quero cortar igual ao do Diego!
(o Diego é o coleguinha da classe pelo qual você é apaixonada)
Por fim, contentou-se com um corte mais tradicional (e menos carequinha que o do Diego). Ficou com um chanel nos ombros, com carinha de menina moça. Tiramos várias fotos de você se divertindo na cadeira da cabeleireira, incluindo o debut do secador de cabelos também (você tinha pavor de secar os cabelos com secador, mas no salão comportou-se como uma dama e pediu que lhe secassem as madeixas)!
É, criança... você está crescendo... Se desfez com tanta facilidade dos cachos que percebi oficialmente a sua vocação para desbravadora. É claro que ainda anda na barra da minha saia (afinal, três anos são três anos), mas aposto que, em pouco tempo, não vai precisar de mim para tantas coisas.
Em meu peito, um misto de desejo e medo de que cheguem os dias em que vai decidir as coisas sem a minha opinião... Espero estar sempre por perto para ajudar você, ou, como disse o Rubem Alves, para "catar os cacos"...
Amo você e essa é a única certeza que tenho em minha vida... :)
mamãe
domingo, 15 de julho de 2012
Os dias mais difíceis até agora
Baixou a prisão de ventre. Mas não era um prisão de ventre comum. Foi um furacão amarrando seus intestinos de tal forma que passamos cinco dias sem visitar o banheiro. Bateu um desespero leve, que se alastrou e tomou proporções mais sérias depois de conversar com seu avô Hortensio e escutar que aquele cocozinho preso por tanto tempo poderia virar um fecaloma e, quem sabe, necessitar de remoção cirúrgica. Ai o desespero aumentou (que diabos era um fecaloma?). Precisávamos de um médico.
Pensei na prisão de ventre como pensaria um psicólogo. Você estaria decidindo reter o que? Ou quem? Ou quens? Seu pai morando em BH. Sua avó Zizi de férias viajando, Dida e Daniel de férias, também viajando. Sobrou a mamãe aqui (e também sobrou o vovô ali). Mas a mamãe você sempre teve e nunca houve um momento em que se sentira ameaçada por minha ausência, afinal de contas, estamos juntas para o que der e vier.
Ok, pensei, vamos desistir de pensar nas psicologias posto que, em primeiro lugar, precisávamos liquidar as possibilidades de algo fisiológico.
Antes de tudo, uma lavagem intestinal feita em casa, com remédio de farmácia, foi o que a médica de plantão do primeiro andar nos indicou (que sorte é ter uma pediatra morando no primeiro andar do seu prédio! Maior sorte ainda quando no dia em que você precisa dela, ela não está de plantão!). Foi traumático. Você ficou muito sacaneada e triste, porque coloquei o remedinho no seu bumbum. Brigou comigo, chorou, fez cara feia. Imagino que se sentiu resignadamente violentada e demonstrou isso com os olhos. Não demorou, veio a dor de barriga. O remedinho tornaria seu cocozinho mais hidratado e aumentaria o peristaltismo. Foi tiro e queda: cinco fraldas em menos de uma hora, todas carregadas.
(Fraldas, sim, porque você não faz cocô no vaso sanitário ainda. Só xixi.)
No outro dia, você comeu pouco. Ainda estava braba com a lavagem. E comigo. E foram assim por mais quatro dias e nenhum banheiro. Resultado? Outra lavagem, desta vez com um remedinho menos potente e menos traumático. Eu disse menos traumático? Talvez creia isso para diminuir minha culpa: seus olhos me fuzilaram tanto quanto da primeira vez.
"Mamãe, você promete que nunca mais vai colocar esse remedinho no meu bumbum? Promete?", me pediu entre lágimas. Falei que, para lhe prometer isso, você teria de me prometer que faria cocô todos os dias. Você foi contumaz: "quando eu crescer, vou fazer cocô na privada". E enquanto for pequena, Alice, tive de lhe perguntar, ao que me respondeu:" quando eu era bebê, eu fazia na fralda. E quando eu crescer, vou fazer na privada. Agora eu não preciso fazer cocô".
Deu um nó na minha cabeça.
Depois da segunda lavagem, fomos ao doutor. Laxante e óleo mineral, para começar. Sua dor era tanta que não conseguia ficar na escola: precisei buscar você por dois dias seguidos, antes das três da tarde. A sensação que eu tinha ao ver você chorar era de impotência pura. Você se espremia para cima, para baixo, para o lado. Não queria fazer cocô, mas o laxante aprontou uma reviravolta no seu intestino, de modo que a sua luta para manter os fedorentinhos era vã. Eles teriam de sair.
Já estamos no quarto dia e você tem feio cocô todos os dias, não sem antes de espremer por longos minutos, contudo. Ou fazer nas roupas, sem fraldas, como aconteceu por três vezes, em horários e locais aleatórios.
Após algumas noites sem dormir direito, rezo para todos os deuses para que esse terror fecal esteja se dissipando...
Pensei na prisão de ventre como pensaria um psicólogo. Você estaria decidindo reter o que? Ou quem? Ou quens? Seu pai morando em BH. Sua avó Zizi de férias viajando, Dida e Daniel de férias, também viajando. Sobrou a mamãe aqui (e também sobrou o vovô ali). Mas a mamãe você sempre teve e nunca houve um momento em que se sentira ameaçada por minha ausência, afinal de contas, estamos juntas para o que der e vier.
Ok, pensei, vamos desistir de pensar nas psicologias posto que, em primeiro lugar, precisávamos liquidar as possibilidades de algo fisiológico.
Antes de tudo, uma lavagem intestinal feita em casa, com remédio de farmácia, foi o que a médica de plantão do primeiro andar nos indicou (que sorte é ter uma pediatra morando no primeiro andar do seu prédio! Maior sorte ainda quando no dia em que você precisa dela, ela não está de plantão!). Foi traumático. Você ficou muito sacaneada e triste, porque coloquei o remedinho no seu bumbum. Brigou comigo, chorou, fez cara feia. Imagino que se sentiu resignadamente violentada e demonstrou isso com os olhos. Não demorou, veio a dor de barriga. O remedinho tornaria seu cocozinho mais hidratado e aumentaria o peristaltismo. Foi tiro e queda: cinco fraldas em menos de uma hora, todas carregadas.
(Fraldas, sim, porque você não faz cocô no vaso sanitário ainda. Só xixi.)
No outro dia, você comeu pouco. Ainda estava braba com a lavagem. E comigo. E foram assim por mais quatro dias e nenhum banheiro. Resultado? Outra lavagem, desta vez com um remedinho menos potente e menos traumático. Eu disse menos traumático? Talvez creia isso para diminuir minha culpa: seus olhos me fuzilaram tanto quanto da primeira vez.
"Mamãe, você promete que nunca mais vai colocar esse remedinho no meu bumbum? Promete?", me pediu entre lágimas. Falei que, para lhe prometer isso, você teria de me prometer que faria cocô todos os dias. Você foi contumaz: "quando eu crescer, vou fazer cocô na privada". E enquanto for pequena, Alice, tive de lhe perguntar, ao que me respondeu:" quando eu era bebê, eu fazia na fralda. E quando eu crescer, vou fazer na privada. Agora eu não preciso fazer cocô".
Deu um nó na minha cabeça.
Depois da segunda lavagem, fomos ao doutor. Laxante e óleo mineral, para começar. Sua dor era tanta que não conseguia ficar na escola: precisei buscar você por dois dias seguidos, antes das três da tarde. A sensação que eu tinha ao ver você chorar era de impotência pura. Você se espremia para cima, para baixo, para o lado. Não queria fazer cocô, mas o laxante aprontou uma reviravolta no seu intestino, de modo que a sua luta para manter os fedorentinhos era vã. Eles teriam de sair.
Já estamos no quarto dia e você tem feio cocô todos os dias, não sem antes de espremer por longos minutos, contudo. Ou fazer nas roupas, sem fraldas, como aconteceu por três vezes, em horários e locais aleatórios.
Após algumas noites sem dormir direito, rezo para todos os deuses para que esse terror fecal esteja se dissipando...
domingo, 8 de julho de 2012
Prende e não solta
Mayday! Mayday! Houston, we have a problem! O cocô não quer sair. E a Alice tá enfezada. Literalmente.
Pois foi então que essa manifestação psicológica começou a assombrar nossas vidas.
Você já tem três anos e até hoje não faz as suas necessidades no vaso sanitário. Até ai, não há tanto mistério: toda vez que precisa "descarregar", ouço um: mãe, cadê a fralda? Tudo bem; pego a fralda e você dá um jeitinho de arrumar um esconderijo e pronto.
Só que agora, a coisa mudou um pouco de figura. Você passou quatro dias sem fazer cocô. E tivemos de fazer uma mini-lavagem, em casa mesmo, usando remedinhos. Foi traumático: você chorou, teve muita dor de barriga e precisou de cinco fraldas antes de se dar por esvaziada!
No outro dia, para tentar melhorar seu estado, dobrei sua ingestão de líquidos e fibras. Passou-se um dia, passou-se outro e mais outro: nada. Você já está prendendo tudo ai dentro novamente. Ai ai...
Hoje já é o quarto dia e você já está tento cólicas desconfortáveis. Quero ver até que ponto vai aguentar. A cada "sambadinha" de dor de barriga (sim, porque você samba quando quer fazer cocô), pergunto o que quer fazer e você, relutante, me dá respostas variadas: quer comer, quer dormir, quer fazer xixi ou tomar mamadeira. Nunca traz à tona o cocô.
Freud explica, não é?
Pois foi então que essa manifestação psicológica começou a assombrar nossas vidas.
Você já tem três anos e até hoje não faz as suas necessidades no vaso sanitário. Até ai, não há tanto mistério: toda vez que precisa "descarregar", ouço um: mãe, cadê a fralda? Tudo bem; pego a fralda e você dá um jeitinho de arrumar um esconderijo e pronto.
Só que agora, a coisa mudou um pouco de figura. Você passou quatro dias sem fazer cocô. E tivemos de fazer uma mini-lavagem, em casa mesmo, usando remedinhos. Foi traumático: você chorou, teve muita dor de barriga e precisou de cinco fraldas antes de se dar por esvaziada!
No outro dia, para tentar melhorar seu estado, dobrei sua ingestão de líquidos e fibras. Passou-se um dia, passou-se outro e mais outro: nada. Você já está prendendo tudo ai dentro novamente. Ai ai...
Hoje já é o quarto dia e você já está tento cólicas desconfortáveis. Quero ver até que ponto vai aguentar. A cada "sambadinha" de dor de barriga (sim, porque você samba quando quer fazer cocô), pergunto o que quer fazer e você, relutante, me dá respostas variadas: quer comer, quer dormir, quer fazer xixi ou tomar mamadeira. Nunca traz à tona o cocô.
Freud explica, não é?
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Putaquepariu
Sim, você aprendeu o putaquepariu. E aprendeu da forma mais correta possível (se é que existe uma forma correta de se aprender um putaquepariu).
Estava você, deitada no colo da Tiz, com um febrão e uma indisposição de dar dó. Quase dormindo, molinha, enrolada na coberta.
De repente, toca a campainha e a Tiz exclama: "Ih, quem será?".
Você, num supetão, levantou do colo dela, puxou a coberta e se enfiou lá para baixo em menos de meio segundo. Depois, puxou a coberta até que os olhos esbugalhadamente assustados estivessem à mostra e soltou : "putaquepariu!".
A Tiz só não riu mais porque não conseguia...
Estava você, deitada no colo da Tiz, com um febrão e uma indisposição de dar dó. Quase dormindo, molinha, enrolada na coberta.
De repente, toca a campainha e a Tiz exclama: "Ih, quem será?".
Você, num supetão, levantou do colo dela, puxou a coberta e se enfiou lá para baixo em menos de meio segundo. Depois, puxou a coberta até que os olhos esbugalhadamente assustados estivessem à mostra e soltou : "putaquepariu!".
A Tiz só não riu mais porque não conseguia...
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Garatujas
Hoje você desenhou a letra A. E a letra E. E fez um sol!
Depois, como se não bastasse, soltou uma pérola:
"mãe, vamos ao Aquamania?"
"mas está chovendo, meu bem"
"não, mãe. Lá é sempre sol!"
Apesar do seu conceito ainda ineficiente sobre meteorologia, achei muito fofo e poético haver um lugar onde é sempre sol...
Depois, como se não bastasse, soltou uma pérola:
"mãe, vamos ao Aquamania?"
"mas está chovendo, meu bem"
"não, mãe. Lá é sempre sol!"
Apesar do seu conceito ainda ineficiente sobre meteorologia, achei muito fofo e poético haver um lugar onde é sempre sol...
sábado, 17 de março de 2012
Uma otite, duas otites
E uma bela otite dupla, pela primeira vez nesse ano.
Choro, febre alta, falta de apetite e tosse; muita tosse. Pobrezinha de você. Logo agora, que já está tendo aulas de inglês e balé na creche, precisou tirar uma semana para recuperar-se da mazela...
Red and yellow é o mais novo hit da casa. Filmei você cantando. É incrivelmente fofo observar sua caixinha de memória funcionando: já conta até dez em inglês! Fala as cores (red, yellow, pink, green, blue, black e purple) e agradece um thank you muito meigo toda vez que está sentada no peniquinho e me pede o papel higiênico.
É curioso perceber o quanto fico de fora da sua educação formal. Você chega a cada dia com tanta informação nova que parece que mãe não serve pra muita coisa mais... ê papelzinho amorfo esse! :)
Choro, febre alta, falta de apetite e tosse; muita tosse. Pobrezinha de você. Logo agora, que já está tendo aulas de inglês e balé na creche, precisou tirar uma semana para recuperar-se da mazela...
Red and yellow é o mais novo hit da casa. Filmei você cantando. É incrivelmente fofo observar sua caixinha de memória funcionando: já conta até dez em inglês! Fala as cores (red, yellow, pink, green, blue, black e purple) e agradece um thank you muito meigo toda vez que está sentada no peniquinho e me pede o papel higiênico.
É curioso perceber o quanto fico de fora da sua educação formal. Você chega a cada dia com tanta informação nova que parece que mãe não serve pra muita coisa mais... ê papelzinho amorfo esse! :)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Alhuce
Faz um mês que você anda ensaiando a letra "L".
Antes, toda Alice era Aííce, todo palhaço era paiaço, todo livro, ívuo. Mas agora, as coisas estão mudando...
Estávamos subindo o morro do Convento da Penha (eu subindo o morro, você se divertindo no meu cangote), quando você disparou: "Olha só, mãe, eu já sei falar Alhuce! Alhúúúce!", dizia com a língua dando piruetas descomportadas no céu da boca. Alhúúúce, assim, como um alemão embriagado tentaria falar seu nome, caso estivesse no Brasil em clima de carnaval. Mas você, ao falar Alhuce, ouvia Alice. Era como se seu "L" fosse perfeitamente compatível com o "L" lugar comum... e não era?
Haveria coisa mais engraçada que a Alhuce, com língua enrolada no meio da boca e um bico de bichinho-gente aprendendo a falar? Não resisti: pedi para que falasse o meu nome. E fomos as duas, Alhuce e Carolhuna, felizes da vida, percorrendo o caminho no meio da mata...
Antes, toda Alice era Aííce, todo palhaço era paiaço, todo livro, ívuo. Mas agora, as coisas estão mudando...
Estávamos subindo o morro do Convento da Penha (eu subindo o morro, você se divertindo no meu cangote), quando você disparou: "Olha só, mãe, eu já sei falar Alhuce! Alhúúúce!", dizia com a língua dando piruetas descomportadas no céu da boca. Alhúúúce, assim, como um alemão embriagado tentaria falar seu nome, caso estivesse no Brasil em clima de carnaval. Mas você, ao falar Alhuce, ouvia Alice. Era como se seu "L" fosse perfeitamente compatível com o "L" lugar comum... e não era?
Haveria coisa mais engraçada que a Alhuce, com língua enrolada no meio da boca e um bico de bichinho-gente aprendendo a falar? Não resisti: pedi para que falasse o meu nome. E fomos as duas, Alhuce e Carolhuna, felizes da vida, percorrendo o caminho no meio da mata...
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Fazendo cocô
Depois de dois anos e oito meses, conseguimos nos livrar das fraldas diurnas.
Bom. Quase totalmente.
A verdade é que você já consegue administrar a vontade de fazer xixi e a cada vez que precisa aliviar a bexiguinha, me pede, já quase correndo para o banheiro: mãe, quero fazer xixi!!!
O desafio engraçado é o cocô. Perdoe a riqueza de detalhes, mas vou ter de contar a história do cocô...
Lá estava você, brincando no Ipad da sua avó. Cantarolou, rodopiou, dançou com o dedinho. De repente veio o raio fulminante. Seus olhinhos pararam, arregalados, a sobrancelha pra cima, me procurando: mãe, mãe, mãe, mãe, eu to de fralda?
Eu já sabia que essa pergunta significava "mãe, quero fazer um cocô, põe a fralda em mim, por favor?".
Respondi que não. E completei dizendo que as fraldas tinham acabado (ora, se eu não dissesse isso, você jamais iria começar a fazer as suas necessidades no vaso sanitário). Você estremeceu. Avermelhou. Embolorou. Despirocou. Tudo junto. Me olhou com cara de "mãe, pelamordedeus me dá uma fralda!". Eu, irredutível. Você, desesperada.
Resolvi dar uma aliviada, para não traumatizar ainda mais a filhotinha. E ai a história ficou engraçada: "Alice, quer fazer cocô na minha mão?".
Para minha surpresa, um sorriso iluminou seu rosto e a resposta "sim" veio a galope. Então. Fomos as duas para o banheiro, onde expliquei-lhe que você sentaria no vaso, e eu, com a mão sob seu bumbunzinho, esperaria o dito dejeto.
Feito: você se divertiu liberando a cápsula. É óbvio que, ao avistar o danado, eu tirei a mão de onde ela deveria supostamente estar, dado o nosso trato. Mas você não se importou. Riu demais quando percebeu o mergulho e juntas, batemos palmas para seu feito. "Eu consegui, gente, fiz cocô na privada!", você exaltou-se!
Mãe é um bicho esquisito... acha até cocô lindo...
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