quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Descobrindo

Hoje você desenhou um círculo... Com a mão esquerda! Será que vai ser canhota?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Princesas Disney

Ok, sei que ainda não é uma boa hora, dados seus um ano e meio, mas é a única hora que tenho para lhe advertir em relação às princesas Disney...
Deixa eu lhe contar: acabei de assistir A Pequena Sereia pela primeira vez em vinte anos. Quando criança amava esse desenho e cresci achando que ele era muito divertido e lindo - e ele realmente o é, em vários aspectos. O que a Disney não vai lhe contar é que há algumas facetas estranhas, não só desse filminho em particular, mas de todos os desenhos Disney de mil novecentos e sua avó nascendo: meninas lindas que abandonam lar, família e tudo o que são e conhecem para ir ao encontro de seu grande amor (lindos príncipes, filhinhos de papai e herdeiros de tudo que a nobreza lhes poderia oferecer e que, via de regra, não mudam por elas).
Filhota, pelamordedeus, não caia nessa de deixar esses desenhos povoarem seu imaginário e construírem sua personalidade. Enquanto não tem idade o suficiente para entender nada do que estou dizendo, garantirei que só assistirá desenhos bacanas e sem mensagens subliminares potencialmente devastadoras (vide todas as mulheres da idade da sua mãe que gastam fortunas em terapia!). Algum dia você irá agradecer...

A boa nova

Quando decidimos espalhar a notícia da gravidez (o que aconteceu dois dias depois de sabermos de você em minha barriga), uma onda de frisson parecia ter tomado conta da família. Ora, já eram vinte e três anos sem um bebê na família de minha mãe e olha que somos muitos netos! Cada um dos vinte e tantos primos respondeu à sua forma, desde as ditas invejinhas boas até os "aimeudeusdocéu, que coragem". Todos ligavam a toda hora, as tias (irmãs de mamãe) viraram tietes e alisavam você quando ainda era menor que meu umbigo.
Pelo lado do seu pai, o susto veio maior que a festa, de princípio: seu tio Gustavo já estava grávido e todos ainda faziam as farras para eles, que já eram uma família estabelecida de fato e direito. Nós éramos amadores e malucões, mal saídos das faculdades.
Numa quinta-feira, fomos à feirinha da Savassi, contar pros amigos sobre a sua existência e todo mundo ficou doido. Era tudo muito novo, poucos dos nossos já eram pais e, se não me engano, da turma do seu pai, ele foi, sarcasticamente, o primeiro. Cheguei primeiro e o encontrei lá. Ele tinha um presente nas mãos _ seu primeiro presente! Era uma toalha de sapo, forrada de algodão, muito linda. Acho que achávamos que você seria um menino, não sei porquê. Mas isso foi só um palpite chutado pra bem fora do gol.
Combinamos que, se fosse menino, seu pai escolheria seu time de futebol. Se fosse menina, essa tarefa caberia a mim. Desde esse dia, eu já sentia que você era menina...
Pra falar a verdade, meu palpite sobre ser menina veio de um pensamento exclusivo: aqui se faz, aqui se paga. Eu sabia que minha mãe rezava bastante e provavelmente ela teve alguma parcela de influência na hora do Cara decidir quem ele iria mandar descer pra povoar o conjunto de células que crescia na minha barriga. Não que eu desse muito trabalho, mas também não dava pouco. Vamos ver como vai ser com você...
Anyway, deixa eu te contar como foi que disse a seu pai que ele seria papai.
Estávamos no carro, eu dirigindo, saindo da agência de viagens onde compraríamos nossas passagens para ir pro Canadá (nossa viagem já estava toda acertada, tínhamos gastado às tampas com o programa, o visto, etc e etc. Só faltavam as passagens.) e íamos em direção à casa dele.
No carro, destilei a notícia em uma série de perguntas:
Lucas, você me ama?
- Aham, ele respondeu
Mas, ama mesmo? Muito?
- Amo.
E você vai ter uma casa comigo no Canadá?
- Aham.
E nós vamos ter um cachorro no Canadá?
- Amm... quem sabe?
E vamos ter um filho também?
- Claro. Daqui a uns dois anos.
E vamos ter um filho em junho?
- ...

E o diálogo parou por aqui. Ele me olhava estupefato. Bêbado. Aterrorizado. Suspeito que ele não tenha entendido mais nada desde aquela hora até uns dois dias depois, quando toda a informação começou a fazer sentido e ser mais parte da nossa vida. Eu, por outro lado, achava que teria até junho para realmente me encontrar com você, olho a olho. Mas minhas contas estavam erradas. Você deveria vir no início de maio, como constatei depois, em seu primeiro ultrassom e em nossa consulta médica.
Mas, como você é minha filha mesmo, assim, sem tirar nem por, não aguentou esperar nem até lá: acabou chegando em abril mesmo...

domingo, 26 de setembro de 2010

Tentando entender os papéis

Dizem que quando um filho nasce, tudo muda.

Penso que essa afirmativa é especialmente verdadeira quando do advento do primeiro filho. Tudo muda. Tudo. E, em princípio, em todas as direções, para cima e para baixo, pior e melhor, num revezamento frenético que parece não ter fim.
Quando você nasceu, foi exatamente assim,  frenético e louco. Mas, para entender a história antes da sua chegada para fora de mim, vou contar sob quais circunstâncias eu descobri que você já estava aqui dentro.

Seu pai e eu, antes, somente despreocupados namorados, estávamos prestes a devorar uma pizza como a primeira refeição dum domingo cuja noite anterior fora regada a farra e boteco. Não era costume rejeitar as saídas nos infindáveis botecos de Belo Horizonte, apesar de nós já estarmos cansados do circuito monotonizante dos mesmos bares: conhecíamos os garçons, suas vidas, suas famílias. Ora, tínhamos telefones do casal de garçons que trabalhava na Galeteria (que virou Tapas) e ficamos até bem tristes quando eles decidiram deixar o boteco para abrir um próprio deles.
Pois então, após a noitada de bar, acordamos bem tarde e, lá pelas 13:00h estávamos no BH Shopping esperando por uma pizza gigante de quatro queijos com calabresa.

(Nota: eu sou louca por pizza de quatro queijos)

Após a primeira fatia veio a asia. Me sentia mal, enjoada, enojada de comer aquela pizza. O Mister Pizza que não me leve a mal, mas nunca havia sentido tamanha indisposição tão de repente. Embrulhamos quase toda a refeição e voltamos para a minha casa. Achei que tinha bebido demais no sábado e prometi para mim mesma que iria me controlar. Pensei também que a culpa fosse da própria pizza, recheada de gordura de vários tipos de queijos, além da massa gordinha e do azeite em excesso. Tentei afastar a zica com um sal de frutas, outro, bicarbonato diluído, omeprazol, mas não teve jeito: a pizza me fez mal durante um mês inteiro. Até eu desconfiar que talvez não fosse bem a pizza...

O teste de gravidez de farmácia foi por minha conta e risco, às escondidas. Como já tinha experimentado desses antes (mais por imperícia nas contas do que por descuido), esperei a fitinha cor de rosa solitária que se instalaria no visor da resposta. Para minha surpresa, a fitinha tinha companhia e, como reza a bula do teste: duas fitinhas cor de rosa significava...gravidez!

Confirmei com um teste de laboratório, ainda às escondidas (a salvo pelo seu tio Guilherme que, até então, estava horrorizado demais para emitir opiniões a respeito do incerto). O resultado saiu no outro dia: grávida. Grávida? Grávida! Eu ria, gargalhava, histericamente. Sempre quis ser mãe. Sempre fui mãe de todas as minhas bonecas e, principalmente, toda a vida me imaginei avó. Quanta loucura! E agora o primeiro passo era... contar para o meu namorado que iria ser pai. E depois, para os meus pais. E para os pais dele. E... e... foi aí que caiu uma bigorna na minha cabeça: ser mãe acarretaria em efeitos colaterais para muita gente envolvida nessa história. Haveria um pai, quatro avós, três bisavós, vários tios e tias e uma parafernália de tios-avós de todas as partes da família (especialmente da minha, que é imensa).

Seu pai e eu, como já disse antes, éramos namorados. Não planejávamos nos casar ainda, ele é mais novo do que eu e não tínhamos um tostão furado no bolso, quiçá para sustentar uma criança. Eu tremia a cada pensamento. Por outro lado, estava tão eufórica e feliz quanto nunca fora: mamãe. Eu estava me tornando uma mamãe e essa ideia me elevava acima de qualquer nuvem de sustos e incertezas.

Enfim sós

Um ano e meio depois, veio o estalo: você é realmente minha. Minha filha.

E foi uma conclusão aterradora.