quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Alhuce

Faz um mês que você anda ensaiando a letra "L".
Antes, toda Alice era Aííce, todo palhaço era paiaço, todo livro, ívuo. Mas agora, as coisas estão mudando...
Estávamos subindo o morro do Convento da Penha (eu subindo o morro, você se divertindo no meu cangote), quando você disparou: "Olha só, mãe, eu já sei falar Alhuce! Alhúúúce!", dizia com a língua dando piruetas descomportadas no céu da boca. Alhúúúce, assim, como um alemão embriagado tentaria falar seu nome, caso estivesse no Brasil em clima de carnaval. Mas você, ao falar Alhuce, ouvia Alice. Era como se seu "L" fosse perfeitamente compatível com o "L" lugar comum... e não era?
Haveria coisa mais engraçada que a Alhuce, com língua enrolada no meio da boca e um bico de bichinho-gente aprendendo a falar? Não resisti: pedi para que falasse o meu nome. E fomos as duas, Alhuce e Carolhuna, felizes da vida, percorrendo o caminho no meio da mata...