Os comportamentos se revezam com a fluidez do humor adolescente: você é um bebezão que já quer dirigir. Ou quase.
Quando é confrontada, rola os olhinhos para cima e me amaldiçoa mentalmente. Quando a noite cai, pula para a minha cama, para dormir.
Essa é você. Minha pequena aristocrata. A mocinha que não quer crescer (palavras suas), mas que já tem um crush por semestre (acho que o espaço está bom, não?). Que gosta dos copos com tampa e bico mediador, mas desfila pela sala com meus sapatos de salto alto. Que não escova livremente os dentes, nem dá descarga, mas já tem pelos pubianos e precisa usar sutiã (haja frango hormonado, hein?).
Querida menina, amor meu, quanta alegria em ser sua mãe. Quanta mansidão. E quanta confusão...
Nesses últimos dias mesmo você tem estado muito dengosa, repetindo "eu te amo" pra mim a cada meia hora, me beijando, abraçando, colando em mim quase pegajosamente. Não consigo identificar o motivo de todo esse apego, mas estou alerta: algo está lhe deixando receosa.
Ah, se você soubesse o quanto meu amor é infinito...não teria medo de nada...
Pensando bem: ainda bem que você não sabe...hihihi... É bom que fique grudadinha assim, enquanto posso me dar ao luxo extremo de ainda lhe carregar no colo!
Amo você <3
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
segunda-feira, 5 de março de 2018
Você já sabe
Querido pedaço de mim,
Eu chamo você para o meu colo, enquanto quero mostrar uma coisa interessante num livro. Você olha, não sem desdém, e torce o nariz: eu sei, eu sei.
Eu busco o lixinho para dispensar as casquinhas de lápis de cor do seu apontador e falo da importância de manter o dispenser vazio e, em resposta, você me repele: eu sei.
Você me chama para lhe ajudar a fazer a tarefa de matemática e, assim que sento ao seu lado e começamos a fazer aquela continha de dividir, você entoa: já sei, já sei.
Você já sabe.
E esse seu saber é o que te paralisa.
Nenhum adulto sabe tudo. Nenhuma criança sabe tudo. Mas a diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto já aprendeu que saber tudo não é vantagem. Vantagem é não saber. Porque o não-saber nos abre as portas da pesquisa, da busca, da descoberta e, especialmente, da humildade.
Não saber é bom também: é ele quem te movimenta.
Saiba menos, meu amor. Busque mais.
E no final da sua vida, terá acumulado um conhecimento invejável...
Fica bem, menina.
Amo você.
Eu chamo você para o meu colo, enquanto quero mostrar uma coisa interessante num livro. Você olha, não sem desdém, e torce o nariz: eu sei, eu sei.
Eu busco o lixinho para dispensar as casquinhas de lápis de cor do seu apontador e falo da importância de manter o dispenser vazio e, em resposta, você me repele: eu sei.
Você me chama para lhe ajudar a fazer a tarefa de matemática e, assim que sento ao seu lado e começamos a fazer aquela continha de dividir, você entoa: já sei, já sei.
Você já sabe.
E esse seu saber é o que te paralisa.
Nenhum adulto sabe tudo. Nenhuma criança sabe tudo. Mas a diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto já aprendeu que saber tudo não é vantagem. Vantagem é não saber. Porque o não-saber nos abre as portas da pesquisa, da busca, da descoberta e, especialmente, da humildade.
Não saber é bom também: é ele quem te movimenta.
Saiba menos, meu amor. Busque mais.
E no final da sua vida, terá acumulado um conhecimento invejável...
Fica bem, menina.
Amo você.
domingo, 18 de fevereiro de 2018
A mãe no osso
Minha querida,
hoje, confesso, estou no osso.
Não é a primeira, nem a segunda vez que a senhorita vem me acordar no meio da noite, fazendo convite à sua cama. Logo eu, que tenho uma dificuldade especial em tornar a dormir, estou vivendo num regime de confusão mental desde que começamos a fazer seu treinamento para dormir sozinha, em seu próprio quarto (coisa que você fazia tão bem quando pequenina).
Paciência para nós, que perdemos o bonde no meio do caminho.
Vou lhe contar o seguinte: que cansaço. São oito horas da manhã de um domingo e eu estou só no bagaço_isso porque fomos dormir às onze e meia de ontem (por ocasião de um aniversário de um coleguinha seu) e você me buscou às três da madrugada para me contar que não conseguia dormir.
Quando o Sol escalou os raios para cima da linha do horizonte, você, remexendo como um peixe fora d´água debaixo daquele lençol, me chutou involuntariamente para fora da cama. Eu perdi a graça e o controle; falei que ia voltar para a minha cama e que não queria ser acordada. Você chorou (e eu, lógico, voltei para você).
Essa história de dormir mal é complicada demais, filha. Poucas coisas me tiram mais do sério que cortar o sono ao meio, mas você parece ser alheia a isso (ok, sua idade não ajuda muito nessas introspecções, não é mesmo?).
Vamos seguir em nosso treinamento, eu, firme, você, doida para eu desistir. Ao longo da jornada, você vai entender que o caminho da independência passa por essas fases de superação de medo.
Quanto mais a senhorita conquistar, mais vai confiar em si mesma. Mais vai sentir esse gostinho de "eu consegui".
Você consegue, meu amor. Você consegue!
hoje, confesso, estou no osso.
Não é a primeira, nem a segunda vez que a senhorita vem me acordar no meio da noite, fazendo convite à sua cama. Logo eu, que tenho uma dificuldade especial em tornar a dormir, estou vivendo num regime de confusão mental desde que começamos a fazer seu treinamento para dormir sozinha, em seu próprio quarto (coisa que você fazia tão bem quando pequenina).
Paciência para nós, que perdemos o bonde no meio do caminho.
Vou lhe contar o seguinte: que cansaço. São oito horas da manhã de um domingo e eu estou só no bagaço_isso porque fomos dormir às onze e meia de ontem (por ocasião de um aniversário de um coleguinha seu) e você me buscou às três da madrugada para me contar que não conseguia dormir.
Quando o Sol escalou os raios para cima da linha do horizonte, você, remexendo como um peixe fora d´água debaixo daquele lençol, me chutou involuntariamente para fora da cama. Eu perdi a graça e o controle; falei que ia voltar para a minha cama e que não queria ser acordada. Você chorou (e eu, lógico, voltei para você).
Essa história de dormir mal é complicada demais, filha. Poucas coisas me tiram mais do sério que cortar o sono ao meio, mas você parece ser alheia a isso (ok, sua idade não ajuda muito nessas introspecções, não é mesmo?).
Vamos seguir em nosso treinamento, eu, firme, você, doida para eu desistir. Ao longo da jornada, você vai entender que o caminho da independência passa por essas fases de superação de medo.
Quanto mais a senhorita conquistar, mais vai confiar em si mesma. Mais vai sentir esse gostinho de "eu consegui".
Você consegue, meu amor. Você consegue!
Assinar:
Postagens (Atom)