Querido pedaço de mim,
Eu chamo você para o meu colo, enquanto quero mostrar uma coisa interessante num livro. Você olha, não sem desdém, e torce o nariz: eu sei, eu sei.
Eu busco o lixinho para dispensar as casquinhas de lápis de cor do seu apontador e falo da importância de manter o dispenser vazio e, em resposta, você me repele: eu sei.
Você me chama para lhe ajudar a fazer a tarefa de matemática e, assim que sento ao seu lado e começamos a fazer aquela continha de dividir, você entoa: já sei, já sei.
Você já sabe.
E esse seu saber é o que te paralisa.
Nenhum adulto sabe tudo. Nenhuma criança sabe tudo. Mas a diferença entre um adulto e uma criança é que o adulto já aprendeu que saber tudo não é vantagem. Vantagem é não saber. Porque o não-saber nos abre as portas da pesquisa, da busca, da descoberta e, especialmente, da humildade.
Não saber é bom também: é ele quem te movimenta.
Saiba menos, meu amor. Busque mais.
E no final da sua vida, terá acumulado um conhecimento invejável...
Fica bem, menina.
Amo você.
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