Dizem que quando um filho nasce, tudo muda.
Penso que essa afirmativa é especialmente verdadeira quando do advento do primeiro filho. Tudo muda. Tudo. E, em princípio, em todas as direções, para cima e para baixo, pior e melhor, num revezamento frenético que parece não ter fim.
Quando você nasceu, foi exatamente assim, frenético e louco. Mas, para entender a história antes da sua chegada para fora de mim, vou contar sob quais circunstâncias eu descobri que você já estava aqui dentro.
Seu pai e eu, antes, somente despreocupados namorados, estávamos prestes a devorar uma pizza como a primeira refeição dum domingo cuja noite anterior fora regada a farra e boteco. Não era costume rejeitar as saídas nos infindáveis botecos de Belo Horizonte, apesar de nós já estarmos cansados do circuito monotonizante dos mesmos bares: conhecíamos os garçons, suas vidas, suas famílias. Ora, tínhamos telefones do casal de garçons que trabalhava na Galeteria (que virou Tapas) e ficamos até bem tristes quando eles decidiram deixar o boteco para abrir um próprio deles.
Pois então, após a noitada de bar, acordamos bem tarde e, lá pelas 13:00h estávamos no BH Shopping esperando por uma pizza gigante de quatro queijos com calabresa.
(Nota: eu sou louca por pizza de quatro queijos)
Após a primeira fatia veio a asia. Me sentia mal, enjoada, enojada de comer aquela pizza. O Mister Pizza que não me leve a mal, mas nunca havia sentido tamanha indisposição tão de repente. Embrulhamos quase toda a refeição e voltamos para a minha casa. Achei que tinha bebido demais no sábado e prometi para mim mesma que iria me controlar. Pensei também que a culpa fosse da própria pizza, recheada de gordura de vários tipos de queijos, além da massa gordinha e do azeite em excesso. Tentei afastar a zica com um sal de frutas, outro, bicarbonato diluído, omeprazol, mas não teve jeito: a pizza me fez mal durante um mês inteiro. Até eu desconfiar que talvez não fosse bem a pizza...
O teste de gravidez de farmácia foi por minha conta e risco, às escondidas. Como já tinha experimentado desses antes (mais por imperícia nas contas do que por descuido), esperei a fitinha cor de rosa solitária que se instalaria no visor da resposta. Para minha surpresa, a fitinha tinha companhia e, como reza a bula do teste: duas fitinhas cor de rosa significava...gravidez!
Confirmei com um teste de laboratório, ainda às escondidas (a salvo pelo seu tio Guilherme que, até então, estava horrorizado demais para emitir opiniões a respeito do incerto). O resultado saiu no outro dia: grávida. Grávida? Grávida! Eu ria, gargalhava, histericamente. Sempre quis ser mãe. Sempre fui mãe de todas as minhas bonecas e, principalmente, toda a vida me imaginei avó. Quanta loucura! E agora o primeiro passo era... contar para o meu namorado que iria ser pai. E depois, para os meus pais. E para os pais dele. E... e... foi aí que caiu uma bigorna na minha cabeça: ser mãe acarretaria em efeitos colaterais para muita gente envolvida nessa história. Haveria um pai, quatro avós, três bisavós, vários tios e tias e uma parafernália de tios-avós de todas as partes da família (especialmente da minha, que é imensa).
Seu pai e eu, como já disse antes, éramos namorados. Não planejávamos nos casar ainda, ele é mais novo do que eu e não tínhamos um tostão furado no bolso, quiçá para sustentar uma criança. Eu tremia a cada pensamento. Por outro lado, estava tão eufórica e feliz quanto nunca fora: mamãe. Eu estava me tornando uma mamãe e essa ideia me elevava acima de qualquer nuvem de sustos e incertezas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário