Estávamos na piscina da casa que o vovô comprou no Parque. Você, de boias nos braços, agarrada no meu pescoço inexoravelmente, nem pensava em aprender a nadar.
Confesso que meu movimento foi instintivo e, ademais, você já tem idade para saber nadar (e o saberia se eu a tivesse colocado numa aula de natação): não resisti. Levei você para o meio da piscina, instruí para que tivesse calma e que confiasse em mim, pois eu estava ali a seu lado, pronta para segurar você. Soltei. Em milissegundos, vi o desespero em seus olhos, enquanto debatia-se, batendo os braços. Permaneci firme, à sua frente, sem tocar-lhe, sorrindo e afirmando "você conseguiu, você está nadando". Como num transe, você escutou minha fala e um sorriso maravilhoso inundou sua face. Você estava nadando! Sim, com boias nos braços, mas, pela primeira vez, nadava sem segurar em nada ou ninguém. E surpreendeu-se tanto com sua própria capacidade que ficou no mais pleno estado de excitação: "gente, eu to nadado, GENTEEE, eu to nadandooooo", gritava para que todos ouvissem. Meu primo Alexandre, o seu tio Lelê, pegou você pelas costas e direcionou para mim, instruindo que nadasse até a mamãe. Eu, devagarzinho, dava passos para trás, para que você pudesse nadar mais. "Pára de andar pra trás, mãe", você exclamava, enquanto percebia minha tática. E pulava para o meu colo. Depois, do meu colo para o tio Lelê. Depois, para a borda da piscina. Depois, de uma borda à outra. E a magia se fez. E você, ao final da tarde, já era o mais novo peixinho da família...
Nenhum comentário:
Postar um comentário