terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Horizonte na faculdade

 Você diz que quer cursar Farmácia e bioquímica. E na UFMG ou na UFOP. 

Ah, meu bem. Você, minha pequenina, minha filhotinha, já escolhendo ir embora. Que dor. Que medo. Que sorte. 

Uma profusão de sentimentos me assola sempre que penso em seu futuro e nessas escolhas que te levam para longe de mim. Imagino se você vai ficar bem. Se vai sentir fome. Se o pão com queijo vai estar na geladeira no outro dia, caso você more com amigas que lhe surrupiarão as coisas da geladeira.

Imagino se vai estar frio de noite. Se seu nariz vai estar entupido. Se as roupas estarão bem lavadas, com cheirinho de sabão e amaciante, como você gosta. Se alguém vai lhe tratar com desdém. Se algum garoto vai tentar te enrolar. Se gente má vai te seguir para tentar adulterar sua bebida em alguma festa, calourada ou coisa e tal. Se você vai se lembrar de trancar a porta. Se vai se lembrar de entregar a tarefa. Se vai me contar quando estiver sentindo dor, tristeza, saudade. 

Imagino se não seria melhor você ficar do meu ladinho, para sempre, do meu ladinho. Fazendo faculdade aqui pertinho. Vendo o Murdoc envelhecer todos os dias. Vendo a Maia crescer. Deitando no meu colo para falar da vida. 

Será que é assim que toda mãe sente? Será que foi isso que a minha sentiu quando eu fui embora? Será que foi assim que a mãe dela sentiu quando ela foi embora? E a bisa, em relação à vovó? E a trisa, em relação à bisa? 

Será que ir embora é necessário e chorar em silêncio é o preço que a gente paga para ver uma filha se libertar do casulo-mãe? 

Amo você, meu bem. Amo você infinitamente. E as suas escolhas serão as minhas escolhas. Estou aqui. Estarei sempre. E se as montanhas de minas cantam para você do mesmo jeito que cantaram para mim, é porque elas sabem cantar... e a gente soube escutar... Libertas, minha amada filha, libertas quae sera tamem. 

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