Um ano e nove meses, acabou de sair do banho, corre para a televisão para assistir os Backyardigans. No episódio de hoje, tem um extraterrestre que você cismou de chamar de "sapo", porque o bicho é verde e tem olhos esbugalhados. Pois bem. Você se aproxima da tevê, o suficiente para abraça-la, so to speak, e toca a tela de vidro, fazendo carinhos nas personagens. "Vem cá, vem, sapo. Dá a mão. Aqui, ó, sapo, vem. Vem cá, 'gans' [a forma como consegue falar backyardigans me enternece], vem cá, por favor".
E falou assim mesmo, com as palavras claras como um dicionário para cegos (exceto pelo nome do desenho, que ainda é um desafio para você). Foi muito lindo. Emocionante.
Você vai entender, daqui a algum tempo, que os desenhos são só desenhos e que nós os encontramos em parques temáticos e trenzinhos em volta da Praça da Liberdade. Ou então eles participam das festas de aniversários. Ou vão à sua escola no dia das crianças. Mas hoje, hoje você ainda entende esses mundos como sendo o mesmo mundo compartilhado por todos. Você é o "Onde vivem os monstros" sem monstros ou história de falta de afeto. É "Labirinto", sem a história do bebê roubado (acho que você é só o finalzinho, quando a Sarah está no quarto e os bichos saem do espelho).
Amo você. Amo todos os seus mundos tão bonitos, que a gente acaba por sufocar depois que vira adulto. Quer saber? Gostaria de lhe pedir um favor: quando crescer, deixe sempre um espaço para a brincadeira, a imaginação e as histórias de quadrinhos e desenhos animados. Um adulto que é só adulto, nada mais é que uma pessoa mais triste que as outras...
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