A primeira palavra que você falou, aproximadamente aos nove meses, foi urubu.
(A bem da verdade, uma réplica fonética perfeita diria que foi "u-u-bu").
É claro que você falava "mama" também, mas em "mama" não havia o sentido "mãe", era só um balbuciar de sílabas ridiculamente fácil e elementar, que toda criança fala desde quase sempre. Mas a primeira palavra com sentido mesmo, aquela que você falava sabendo do que estava falando, foi urubu e eu amo você por isso.
Nunca quis forçar que aprendesse "mamãe" sobre todas as coisas e ademais, penso que existe uma mágica quando se começa a falar: o que se diz, como se diz, com que freqüência. Uma primeira palavra é unica e vai ficar marcada para o resto da vida, veja bem. Poderia ter sido qualquer outra coisa, dada a quantidade de vezes que a gente substantivava perto de você para distrair seus olhinhos: au-au, miau, mamãe, papai, vovó, carro, bicho, sei lá, para quem nunca disse nada, todas as palavras são uma primeira em potencial!
E você, dando mostras do bichinho eloqüente que já é, me aponta para o céu e fala urubu. Assim, do nada, num passeio pelo quintal da casa da vovó Zizi. Pirei.
Hoje suas incursões pelo mundo das palavras são desbravadoras e você fala (ou, pelo menos, tenta) praticamente de tudo. Mas, não se engane, não é porque falar já se tornou senso comum para você que tal ato perdeu a magia e caiu na rotina. Vibro com cada palavra aprendida e, confesso, há coisas tão lindinhas que você fala (" o e-e-fanti comi a fôia e o gaio") que dá vontade de reforçar a fala errada só pra ficar mais bonitinho por mais tempo!
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