(isso aconteceu em junho de 2013 e foi um presentão de aniversário para mim)
Estávamos no carro da vovó Zizi, com a tia Cláudia (vovó da Manuzinha). Ela comentou _ e confesso que foi o comentário mais bacana dos últimos tempos _ que sua sobrinha neta tinha comprado uma linda boneca usando as próprias chupetas como unidade monetária. Que ótima ideia tiveram! E para você, que queria tanto o castelo dos pôneis, a possibilidade de compra-los com chupetas foi, no mínimo, recebida com curiosidade.
Mas antes de entrar no mérito da história, deixa eu contextualizar a remoção da chupeta, para você entender exatamente os motivos que nos levaram até seu ato definitivo.
Chupetas representam mais que chupetas. São uma fonte de ligação ritualística com a segurança, com o aconchego e com a rotina. E você era bem ligada com suas chupetas...
Acontece que, como toda boa ligação com qualquer coisa, a chupeta é uma muleta malvada: primeiro porque estraga os dentes (e os seus já estavam ficando bem tortinhos) e depois, porque acaba se tornando uma condição para que você durma tranquila (o que não pode ser nada bom, especialmente quando a gente esquece a chupeta em casa e você e quer dormir em outro lugar).
Pois bem, chupetas como unidade monetária. E funcionou. Certo anoitecer, você decidiu que queria comprar o castelo dos pôneis com chupetas. "E quantas chupetas será que custa?", questionou, ao que lhe respondi: "não sei, querida. Na dúvida, vamos levar todas na sua bolsinha". E você as reuniu e guardou numa bolsinha, correndo para a porta: "vamos, mãe!".
Chegamos no shopping e fomos à loja de brinquedos. Enquanto você se maravilhava com o castelo dos pôneis na prateleira, busquei uma vendedora e lhe expliquei toda a situação. Ela entendeu de pronto e se aproximou de você. Você perguntou: "moça, quanto custa esse brinquedo?". Ela, conforme combinamos, lhe respondeu: "puxa, esse é caro... ele custa... três chupetas!". Mais que depressa, você avançou sobre a bolsinha, tirando as chupetas para contá-las e tamanha foi sua surpresa ao perceber que ali havia exatamente as três chupetas de que precisava para comprar o castelo! "Mãe! Olha! Eu tenho três pepetas! Eu tenho três pepetas!!", exclamou, num frisson engraçadíssimo! Tentou pagar a vendedora ali mesmo, mas ela havia encarnado a personagem direitinho: lhe direcionou ao caixa, para que a coisa fosse bem verdadeira.
No caixa, você entregou as chupetas e foi buscar seu prêmio (quer dizer, sua primeira compra importante). A vendedora havia embalado o castelo para presente. E você amou!
Em casa, brincou por muito tempo! Pôneis para cima e para baixo: enfeitou o quarto inteiro tendo o castelo como tema. Lá pelas tantas, porém, já na hora de dormir, a coisa começou a ficar feia.
Você não queria se deitar. Ficou rodando na cama, virando de um lado para o outro, repetidamente. Pediu a chupeta, ao que retruquei: "lembra que compramos o castelo dos pôneis com suas chupetas?". Você me perguntou se poderíamos comprar novas chupetas no outro dia. Com o coração partido e abafado, lhe respondi que isso não seria possível. Que você já estava crescida e que seus dentinhos estavam pelas tampas de tortos por causa do uso da chupeta.
Você chorou. Foram uns quatro ou cinco dias de sonos picados e muito choro.
Depois passou.
Você dormiu. Sem pepeta.
E seus dentinhos voltaram ao normal... aquele arco que havia na sua boca desapareceu por completo em quatro meses. Que sorriso lindo... <3
Minha querida, isso serviu para lhe ensinar uma coisa valiosa (mesmo que não tivesse ainda idade para aprender): tudo passa. O que é ruim passa. O que é bom passa. Tudo. Tudo anda no fio do tempo, silenciosamente.
Um dia você vai entender o valor dessa lição. Um dia vai dar todo o crédito pra tia Cró, para os meus ricos duzentos reais que foram convertidos em "pepetas", para o tempo.
Amo você.
mamãe
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