Fiquei estupefata, já que o seu ciclo de sono sempre teimou em terminar antes das sete (quando, no máximo, em algumas exceções, ia até às oito eu pulava de alegria). Com certeza tudo isso foi efeito do descompasso entre Natal e Ano Novo, época de festas e rebuliços familiares: ficávamos até tão tarde recebendo tios e tias que já não sabíamos mais a que horas dormir. Hoje, do alto do dia 04, seu mecanismo parece estar voltando ao normal lentamente, e você ainda deu algumas pequenas dormidas durante as tardes (coisa que não fazia há meses).
O ano de 2013 marca uma etapa importante da sua vida: a entrada no colégio. Estamos deixando para trás a creche Grão de Areia e adentrando pela porta da frente do Colégio Marista. Hoje percebo o quanto o tempo passou rápido...
Escrevi uma cartinha de agradecimento à Grão, por todos os serviços prestados e por toda a dedicação no intuito de ajudar você em sua transformação e crescimento. Deixo ela aqui, na íntegra, para que, um dia, quem sabe, você a possa ler (será que se lembrará de alguma coisa de lá?).
"Dez meses de idade. Foi quando Alice entrou na escolinha.
Escolhi a Grão de Areia por
múltiplas indicações de pessoas, tanto queridas quanto desconhecidas. O lugar parecia acolhedor, a fala da
proprietária (que, não por acaso, era psicóloga) condizia com tudo que eu
acreditava em termos de educação infantil.
Desde os primeiros dias, quando
minha pequena estava em adaptação, estive tranquila em relação à escolha do
local: nunca houve arrependimento, nunca houve medo.
Alice cresceu a olhos vistos.
Falava mais, cantava mais, aprendeu o que era se relacionar com os pequeninos
iguais a ela. Descobriu que o mundo era maior que as paredes de nossa casa.
Foi na Grão de Areia que minha
filha ensaiou a escrita das primeiras letras, arriscou a hipótese de rabiscar
seu nome, de rabiscar meu nome. Definiu sua lateralidade. Aprendeu a agradecer
a Deus pelas refeições. Praticou ritmos novos, com instrumentos musicais que
jamais sonhara. Percebeu que havia línguas diferentes daquela primordial que
conhecia. E foi na Grão de Areia que Alice reuniu tantos dos conhecimentos que
sempre fez questão de compartilhar como se fossem ouro (mal sabe ela que
conhecimento é mesmo ouro).
Em termos relacionais, a Grão foi
seu primeiro celeiro de amizades. Antes,
mamãe, papai, tios e avós eram seu contato principal. Suas construções sociais
eram limitadas a gigantes aparentemente bem articulados, sólidos e sóbrios, que
entravam e saiam pelas grandes portas quando lhes convinham. Após sua inserção
no convívio da escolinha, Alice aprendeu que havia também outras possibilidades
de interação. Outros gigantes e outros pequenos; os segundos pareciam mais
verdadeiros, mais condizentes com sua própria condição de pequena. E ela os
amou a todos. Ainda os ama.
Cada membro da escola passou a
fazer parte do repertório inicial de Alice. Cada um agora representa um peça
importante no quebra-cabeças de uma vida que começou há tão pouco.
Hoje é um dia triste, de
despedida. Mas, ao mesmo tempo, é um dia feliz, de agradecimento, e, especialmente,
de reconhecimento por um serviço tão bem feito e por um acolhimento de perfeita
sintonia entre minha família e a família Grão de Areia.
A oportunidade de fazer a
diferença na vida de uma criança é única. Havia só uma chance para acertar sua
primeira escola. Havia só uma chance para escolher um local que fosse também
responsável por ajudar a definir a personalidade de Alice, seus valores morais
e éticos, seus comportamentos em relação a desafios e barreiras. E nós
acertamos. Acertamos em tudo. Alice é hoje fruto de ótimas escolhas e
interações, que sorveram dela o melhor de sua alma e temperamento.
Waleska, Cláudia, Jessica, Wilson
e demais professoras e cuidadoras da Grão: a vocês, nosso agradecimento.
Obrigada por fazerem parte de nossas vidas. Jamais nos separaremos, pois vocês
são os alicerces da nossa história.
Estarão para sempre em nossos
corações e pensamentos. Amamos vocês."
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