Outro dia mesmo eu estava prestando atenção no quanto é importante conversar com você.
Quando eu digo conversar, não estou querendo dizer repetir palavras fáceis ou rir simplesmente do que você diz, mas conversar mesmo, no mais amplo sentido da palavra: lhe conto coisas e lhe escuto as coisas, como se tivéssemos, ambas, pleno entendimento do que a outra diz.
Sei que não entendo metade do que fala, mesmo porque você está agora numa fase engraçadinha demais, que repete sílabas a esmo, esperando que aquele amontoado de sons faça tanto sentido quanto os amontoados de som que os adultos dizem. Mas penso que, nesse momento, entender a importância da sua fala já é o suficiente na grande maioria dos casos. E isso vale reciprocamente. Você está aprendendo a escutar; o que é definitivamente importante e definidor para a sua vida. Lembre-se disso: duas das nossas grandes armas são os ouvidos e a memória.
Estou achando muito bacana ter tido a oportunidade de ser sua mãe. Se pudesse escolher uma filha a dedo, não teria chegado perto da perfeição que é você. Engraçado como toda mãe provavelmente diz isso, mas, de algum modo, acho que sou a única que realmente pode dizer, porque, certamente, você é mais especial que qualquer filha dos outros.
Ser mãe tem lá seus traços perversos, especialmente porque quando endeusamos demais os filhos, estamos fazendo um cumprimento indireto a nós mesmas: veja só como sou especial; olhem a filha perfeita que fiz!
Mas, não se preocupe: isso só é perigoso quando a gente não sabe que é perverso e, como entendo esse lado da maternidade, não deixarei que isso afete nossa relação de maneira destrutiva (prometo que vou tentar!).
Enfim, enquanto você dorme (e eu só escrevo enquanto você dorme _ ora, haveria alguma outra hora para eu escrever?), reflito sobre seu papel na minha vida e, consequentemente, sobre o meu na sua e penso que, apesar dos inevitáveis (e por que não, saudáveis) embates, nos entenderemos sempre muito bem...
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