Ontem fomos à Anchieta.
Chegando na praia da frente, lá pelos cantos do terreno do Geraldinho (depois você precisa me lembrar de lhe contar essa história), vimos centenas de garças andando pela água, a maré estava bem baixa, de modo que havia menos de um palmo dágua entrando da margem até um duzentos metros para dentro do mar. Elas passeavam despreocupadas, caçando peixinhos e conversando umas com as outras, com barulhos engraçados e altos. O sol estava a pino e o vento soprava agradavelmente.
Você, de vestido branco, não queria descer do meu colo, por medo da proximidade com os bichos (algumas chegavam a um metro e pouquinho de altura). Entrei na água e fui caminhando para o meio delas, com você no colo. Vimos que elas comiam peixinhos e futucavam o fundo dágua à procura de mexilhões. Contei-lhe histórias de garças e aos poucos, você foi se acostumando em estar ali, quase que absorvendo o cenário. Seu avô tentava tirar fotos da margem, mas estávamos muito longe...
Coloquei você no chão, pezinhos nágua. Gostou. Largou lentamente minha mão e passou a se apoiar em meio vestido. Falava com as garças, brincava com elas, ria. "Bonito, mamãe, bonito", apontou para uma garça com uma cabeça de peixe no bico, em pleno vôo. Eu também achei bonito. Qualquer um acharia bonito estar ilhado por garças e água, num cenário paradisíaco daqueles. Queria guardar tudo em fotos, filmes, livros. Queria mudar com você para a beira das garças, para você nunca perder esse contato com a natureza. Queria que você conseguisse guardar na mente essa tarde tão deliciosamente morna e feliz...
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